Jornada de trabalho longa aumenta consumo de álcool

Bebida é forma de ‘escapar da realidade’, alertam especialistas. Risco à saúde é grande

Por O Dia

Rio - Para muitas pessoas, nada como um drinque, ou dois, ou três, ou mais após um dia cansativo. E quem tem longas jornadas de trabalho fica mais sujeito a desenvolver esse hábito. Segundo estudo finlandês, o consumo de bebida alcoólica aumenta em 13% para quem tem carga horária de mais de 48 horas semanais, em relação a quem trabalha menos de 40 horas.

O psiquiatra Fábio Mantovan afirma que a busca por bebida alcoólica é uma forma de relaxamento. Mas os transtornos à saúde são graves. Ele explica que o álcool gera um efeito de bem-estar mais instantâneo, por atuar em neurotransmissores responsáveis pelo prazer, como a serotonina e a endorfina. “As pessoas procuram o álcool para escapar da realidade, como uma forma de refúgio”, analisa o coordenador do Serviço de Psiquiatria do Hospital São Francisco na Providência de Deus.

Drinques após o trabalho podem gerar depressão e até demência, afirma estudo feito na FinlândiaIstock

O estudo, publicado no British Medical Journal, mostra que, além de dependência química e depressão, a bebida pode causar demência. Após analisar 333 mil pessoas, a pesquisa afirma que são considerados grupos de risco mulheres que bebem mais de 14 doses por semana e homens que tomam mais de 21 copos.

“O álcool altera o estado de consciência, modificando a liberação de neurotransmissores. O organismo pode chegar a um estágio que não consiga mais liberá-los. O corpo cria resistência a uma certa dose de álcool, e vai sentir necessidade de ingerir cada vez mais”, alerta o especialista, acrescentando que as pessoas podem procurar formas mais saudáveis de relaxar o corpo e a mente. “Fazer exercícios físicos, ir ao cinema, ir a reuniões familiares ou passear podem ser ótimas opções. Isso depende do perfil de cada um”, afirma ele.

Desidratação e até câncer

O excesso de bebidas alcoólicas pode causar, além de doenças psiquiátricas, problemas físicos. Como efeito imediato, o organismo pode sofrer desidratação. “O álcool inibe a ação de um hormônio anti-diurético. Urinar mais não significa que você esteja se hidratando. Por isso, o álcool deixa a boca seca no dia seguinte, com a ressaca”, explica Marco Aurélio Chame, clínico geral da Clínica Médica do Hospital São Francisco na Providência de Deus.

Ingerido com maior frequência, o álcool pode causar graves consequências ao organismo, como câncer de fígado, cirrose, úlcera e até problemas de pele. “Há grandes chances de doenças cardíacas também, como cardiopatia dilatada”, acrescenta Marco.

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