Transportes sob pressão

Metroviários e ferroviários começam negociações em meio ao movimento dos rodoviários

Por O Dia

Rio - Depois da paralisação de rodoviários que, na quinta-feira, tirou das ruas 76% da frota de ônibus e deixou três milhões a pé, o carioca ainda pode sofrer os efeitos de impasses trabalhistas em dois outros pilares do transporte público de massa: trens e metrô. Com a importância de suas funções para a cidade se mover turbinada pela proximidade da Copa do Mundo, metroviários e ferroviários acabam de iniciar suas campanhas salariais.

“Este ano, as categorias estão com maior poder de pressão. Não adianta sermos hipócritas. Os trabalhadores têm de tirar algum proveito desse momento, da Copa”, firma o diretor do Sindicato dos Metroviários do Rio (Simerj) Edgard Coelho. A categoria, que tem data-base em 1º de maio, reivindica 10% de reajuste. “Já enviamos a proposta ao MetrôRio, mas ainda não tivemos retorno.”

Movimento dos rodoviários paralisou 76% dos ônibus do Rio de Janeiro na quinta e deixou 3 milhões a péOsvaldo Praddo / Agência O Dia

Já os ferroviários querem aumento real de 3% mais a inflação (6,28% nos últimos 12 meses pelo IPCA - índice oficial do governo). “Já tivemos duas reuniões com a SuperVia, mas ainda não temos nada fechado. Vamos ver como andam as negociações. Ainda estamos começando”, contou Valmir de Lemos, presidente do Central do Brasil, um dos dois sindicatos que representam os ferroviários.

O MetrôRio informou, em nota, que cumpre integralmente a legislação e que sua política salarial é adequada à realidade do mercado. Já a SuperVia afirmou que o processo de negociação com os dois sindicatos segue o cronograma previsto.

Dependência dos ônibus é a mais forte

Na avaliação de especialistas em mobilidade urbana, uma greve de rodoviários, como a de quinta-feira, paralisa o Rio de maneira mais traumatizante do que os demais meios de transporte porque o ônibus permanece como principal opção de locomoção na cidade. “Dois terços da população dependem dos ônibus”, disse Alexandre Rojas, professor da Uerj. “Não há como os trens e o metrô suportarem tanta demanda quando os ônibus param de circular.”

Embora tenha aprovado o trabalho da Supervia e do MetrôRio durante o plano de contingência na quinta, no qual os trens absorveram parte da demanda excedente dos ônibus, a professora da UFRJ Eva Vider não vê uma saída em médio prazo para a “ônibus-dependência” dos cariocas.

“Trens e metrô ainda não têm capacidade para serem reais alternativas ao transporte por ônibus. A malha rodoviária na cidade tem uma abrangência geográfica muito maior”, disse ela, acrescentando que os projetos de BRT são uma proposta de reorganização d as linhas de ônibus e de integração com o metrô.

Reportagem de Paulo Maurício Costa

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