Editorial: O cobertor curto da segurança

Na Região dos Lagos, quando não mata, a guerra do tráfico expulsa moradores das casas

Por O Dia

Rio - Série de reportagens publicadas ontem e hoje no DIA mostra o que cariocas e fluminenses já vêm sentido na pele há algum tempo no dia a dia: o recrudescimento da violência perpetrada, ora por horda de criminosos no asfalto longe das favelas ocupadas pelas UPPs, ora por milicianos que ocupam o lugar de traficantes na Zona Oeste.

Se a segurança nas mais de 30 comunidades pacificadas vai bem, e o Rio agradece, no Centro, por exemplo, a Lapa sofre com aumento de 77% de roubos a comerciantes. O maior reduto da boemia carioca, cartão-postal da cidade, se ressente do básico para combater a bandidagem: policiamento ostensivo.

A mesma falta reclamam moradores da Zona Norte, com a violência que não para de fazer vítimas. A mais recente, no fim de semana, foi o menino Matheus Vieira, de 14 anos, na Penha. Ele voltava de uma festa com a tia e foi morto dentro de um carro pela barbárie de traficantes que agem livremente no subúrbio enquanto a UPP não vem.

Na Região dos Lagos, quando não mata, a guerra do tráfico expulsa moradores das casas. A onda de crimes já preocupa o setor turístico das sete cidades que só contam com um batalhão para o patrulhamento. Na Zona Oeste do Rio, crime organizado tripudia do poder constituído ao criar uma UPP da milícia.

Enfim, o combate à violência pressupõe a garantia de segurança a todos. A ocupação das favelas é importante, sim. Mas priorizar apenas algumas áreas é correr o risco de cair na política do cobertor curto: cobre-se a cabeça e descobrem-se os pés. Ou vice-versa.

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