Editorial: ‘Mais Médicos’ não resolve todos os problemas

A falta de médicos nas periferias das grandes cidades e nos municípios do interior é um gigantesco problema na Saúde, mas não é o único

Por O Dia

Rio - A falta de médicos nas periferias das grandes cidades e nos municípios do interior é um gigantesco problema na Saúde, mas não é o único. Reportagem ontem no DIA mostra mazela que nada tem a ver com a dificuldade de empregar gente em lugares afastados — tanto que acontece numa das mais importantes unidades da Zona Norte do Rio, o Hospital do Andaraí: o descaso com insumos básicos, como gaze, e a incompetência para gerir estoques.

O mesmo governo federal que bate o bumbo com a importação de profissionais não deveria deixar à míngua uma unidade tão importante de sua rede. Inspeção do Ministério Público Federal constatou problemas na reposição de 38 itens e 14 medicamentos, algo que deveria ser básico. Pior: há remédios mofados.

Consequência do estado deplorável do almoxarifado do Andaraí, com infiltrações e outros descuidos inaceitáveis em qualquer edificação, mais ainda em um hospital. Quem sofre com tamanha negligência, evidentemente, é o paciente. Em alguns casos a família tem de pagar do bolso o dinheiro do remédio que os médicos deveriam fornecer, como O DIA flagrou na reportagem.

A trama pode complicar, segundo alerta da PF, porque o desabastecimento — que a direção nega — pode ser estratégia para disparar contratos emergenciais desnecessários e fazer a alegria de fornecedores inescrupulosos. E tudo isso, inegavelmente, às custas do contribuinte.

O Programa ‘Mais Médicos’ é fundamental, assim como equipar os hospitais e exigir mais cuidado na logística. Senão o próprio profissional pouco pode fazer, e o atendimento termina nulo. São detalhes que evidenciam a falência da Saúde e que não podem ser esquecidos.

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