Editorial: Retrato sofrível da Educação municipal

A reincidência de más notícias sobre o ensino público desanima até os entusiastas e os mais otimistas em relação a um futuro de qualidade para todos

Por bferreira

Rio - A reincidência de más notícias sobre o ensino público desanima até os entusiastas e os mais otimistas em relação a um futuro de qualidade para todos. A bomba da vez é relatório do Tribunal de Contas do Município do Rio que apontou falhas graves em um terço das escolas visitadas. Com problemas variados que vão de falta de material a ameaças à segurança dos alunos — fora a merenda —, o dossiê apenas ratifica a percepção negativa dos pais, que parece indelével há anos. Evidentemente que a prefeitura reagiu, prometendo mundos e fundos, mas é inadmissível que, em pleno século 21 e diante das novas tecnologias em sala, ainda exista colégio com um buraco no lugar da lousa.

A resposta da secretaria de que as 60 unidades reprovadas pelo TCM compõem “apenas 4% do total da rede” é risível. O contribuinte é esperto o bastante para não cair em truques rasos de estatística — que, neste caso, minimiza o drama dos alunos das escolas precárias, como se estes não se importassem com a precariedade. E o desempenho geral da rede vem caindo: somente um em cada dez colégios obteve avaliação positiva segundo o TCM — órgão cuja razão de existir é justamente fiscalizar o bom uso do dinheiro dos impostos.

É de se lamentar o resultado, uma vez que a secretaria diz se esforçar tanto para melhorar o desempenho dos estudantes — como no Ideb. E há diretores comprometidos que conseguiram ótimos resultados com gestões inovadoras. Mas é inútil cobrar nota se a escola não pode contar com o básico, que é a infraestrutura. Felizmente, não há danos tão graves que não possam ser consertados. Bastam verba e vontade política.

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