Hamilton Werneck: A eleição é uma catarse

Muita gente reclama do período eleitoral. Queixam-se do barulho nas ruas, dos comícios, dos carros de som, dos painéis de propaganda e das mensagens pelas redes sociais

Por O Dia

Rio - Muita gente reclama do período eleitoral. Queixam-se do barulho nas ruas, dos comícios, dos carros de som, dos painéis de propaganda e das mensagens pelas redes sociais.

Mas a democracia é assim, permite a apresentação de pessoas e de ideias. Ela representa uma amostra do que é a sociedade porque surgem candidatos de todos os tipos, da mesma forma como a sociedade reúne pessoas muito diferentes, algumas com as quais convivemos e outras que não suportamos ou com quem não damos bem.

Como todos têm o direito de se filiar a um partido e de apresentar propostas num período eleitoral, as ideias com as quais podemos ou não concordar são visíveis. Ninguém é obrigado a votar em quem acabou de conhecer e detestou. Nosso sistema inclui, apenas, o atraso da obrigatoriedade do voto. Quando votar é livre, cada candidato tem dois trabalhos: convencer o eleitor a votar e, depois, a votar nele. Além disso, num sistema que admite a liberdade de votar ou não, a consciência do valor do gesto democrático deve ser muito maior.

Mesmo que a democracia apresente algum incômodo em época de campanha, a sociedade aproveita este tempo para pôr para fora o que pensa e deseja fazer. Não há represamento de ideias. Cada um pode falar — desde que não ofenda os concorrentes — o que quiser e apresentar as propostas que oscilam desde as mais equilibradas até as mais estapafúrdias. Assim mesmo, pela força da democracia, o que é desagradável para alguns pode ser o ideal para outros.

Campanha política é um exercício de paciência porque somos obrigados a conviver, de modo mais escancarado, com muitas diferenças.

Mas, analisando todos os quadros que surgem nas praças e meios de comunicação, terminado o tempo da propaganda, surge uma espécie de alívio. Ele é duplo: serve para os ouvidos que se ensurdeceram durante dois ou três meses e para os que fizeram propostas.

Aqueles mais sobressaltados e que mais vociferaram durante o período de espera da abertura das urnas permaneceram, agora, por algum tempo, bem calmos. É a calmaria de quem vomitou o que quis e ouviu clamores a favor ou contra. Mas, em todas as situações, o que fez bem foi a catarse, este processo psicológico de pôr para fora o que se pensa e o que se sente em relação ao país, à sociedade e aos costumes.

Agora vale a lei democrática para vencedores e vencidos: continuar a viver conforme determina a Constituição.

Hamilton Werneck é pedagogo e escritor

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