Leonardo Lopes: Estiagem e horário de verão

A consciência ambiental sempre deve ser nossa prioridade, e é essencial zelarmos por nosso planeta para, ao menos, para deixarmos um mundo melhor para as próximas gerações

Por O Dia

Rio - O horário de verão foi criado pelo governo para diminuir o consumo de energia elétrica no país devido ao maior período do dia sob exposição do sol e à tendência de as pessoas utilizarem mais ventiladores e ar-condicionado, o que aumenta a demanda. Porém, a estiagem que atinge diversas regiões do Brasil fará com que a economia, desta vez, seja menor.

Com os reservatórios das hidrelétricas em baixa, foram acionadas mais as usinas termelétricas, fonte de energia mais cara e poluente. Ano passado, o governo calculou economia de R$ 405 milhões, e a expectativa para este ano é de R$ 278 milhões. Já enfrentamos falta de água em diversas regiões do país e não podemos mais esperar que os governantes tomem iniciativas para acabar com o problema. Devemos começar por nós mesmos, com atitudes em casa e no trabalho que visem à redução no consumo.

Por isso, há 20 anos me dedico a criar soluções eficazes e dar dicas que resultem no uso racional da água, combatendo o desperdício. Os grandes consumidores, como empresas, condomínios, prédios administrativos, faculdades, escolas, hospitais, hotéis e shoppings, podem reduzir em até 60% o gasto d’água através de pequenas ações. Por exemplo, desenvolvi um vaso sanitário em ABS que utiliza apenas dois litros de água por acionamento, contra até oito dos convencionais de cerâmica.

Em chuveiros é possível reduzir o consumo em 50% através de uma ducha aerada, que utiliza 50% de ar e 50% de água na saída, sem comprometer a qualidade do banho. Com este sistema, uma ducha reduz o consumo à metade — de um litro a cada cinco segundos a 500 ml no mesmo período. Para as pias de banheiro, desenvolvi um mecanismo que libera a água somente após a retirada da mão da válvula, e não quando se aperta, gerando economia da ordem de 80%. Medidas como essas são indispensáveis para enfrentarmos a estiagem.

Também com simples hábitos podemos economizar, como fechar a torneira enquanto escovamos os dentes ou ensaboamos a louça. Procure lavar banheiros e quintais com água reutilizada da lavadora de roupas. Recentemente, em Santo André, ouvi do executivo Milton Joseph, da Semasa, empresa responsável pelo saneamento ambiental da cidade, um ensinamento que jamais esquecerei: “Os idosos que acordam várias vezes à noite para urinar não deveriam dar descargas. Essa providência, numa visão macro, geraria uma grande economia de água.”

A consciência ambiental sempre deve ser nossa prioridade, e é essencial zelarmos por nosso planeta para, ao menos, para deixarmos um mundo melhor para as próximas gerações. Ainda há tempo.

Leonardo Lopes é fundador da Acquamatic