Editorial: Coerência e respeito nos EUA

O relatório do Senado americano sobre práticas desumanas de interrogatório em suspeitos de terrorismo levantou onda justicista na terra de Obama

Por O Dia

Rio - O relatório do Senado americano sobre práticas desumanas de interrogatório em suspeitos de terrorismo levantou onda justicista na terra de Obama. Ruidosa maioria condena os métodos denunciados, agora expostos como ineficazes, e uns poucos, como John Brennan, diretor da CIA, tentam apaziguar os ânimos. As táticas de se arrancarem informações a qualquer custo foram abandonadas em 2007, mas a grita em torno do caso não necessariamente será em vão. Basta que se olhe para outro lado.

Os Estados Unidos têm dois problemas graves de direitos humanos para lidar. O primeiro é um esqueleto que apodrece há anos nos armários da Casa Branca: Guantánamo. Outro está irrompendo nos jardins da mansão de Obama: a crise racial.

A horrenda prisão em Cuba, que voltou às manchetes com o asilo oferecido pelo Uruguai a seis detentos, resiste às promessas de fechamento. Muitos dos presos aguardam julgamento, mas não se sabe se o terão. A ‘condenação’ ao esquecimento pode ser tão brutal quanto as surras dadas nos porões da CIA a pretexto de caçar terroristas.

Já a crise racial vem crescendo numa proporção assustadora, sem que haja reação justa ao problema. Diferentes casos de abusos policiais contra negros, com a absolvição de um agente pela Justiça, vêm irritando as cada vez mais numerosas ‘minorias’, que ocupam as ruas e exigem mudanças.

Não adianta falar em superar monstruosidades sob custódia se persistem políticas de amnésia em relação a Guantánamo e de segregação racial enraizada na polícia.

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