Editorial: Vida sombria na 'nação de criminosos'

De discursos, indignações e sobretudo vítimas o Brasil está farto. Quando virão as ações?

Por O Dia

Rio - Combater a “nação de criminosos” a que se referiu na segunda-feira José Mariano Beltrame exigiria das autoridades, nas palavras do próprio secretário de Segurança, trabalho em conjunto e ações estratégicas em todos os níveis de governo e em todas as esferas de poder. Não por acaso foram também estas as observações finais da ministra Ideli Salvatti, da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, ao apresentar na quarta-feira a quinta edição do Índice de Homicídios na Adolescência.

As duas notícias versam sobre assuntos intrinsecamente ligados, que vão muito além da relação de causa e efeito. Formou-se legião de bandidos por omissão do Estado e sobretudo pela falta de oportunidades, levando gerações inteiras a debandar para o banditismo, não importa a idade.

Vidas que pagam um preço, escancarado pelas estatísticas do índice. A partir de dados de 2012, estima-se que mais de 42 mil adolescentes, de 12 a 18 anos, poderão ser vítimas de homicídio nas grandes cidades entre 2013 e 2019. É um número 17% maior que o apurado em 2011, evidenciando uma escalada da violência e da vulnerabilidade nesse segmento.

Beltrame reiteradas vezes falou da necessidade da ocupação social, sem a qual o projeto de pacificação não prospera, pois só a presença da polícia não garante o fim do tráfico. Num primeiro momento, até se conseguiu desarmar as favelas. Vitória temporária, já que tiroteios e balas perdidas se multiplicaram nas últimas semanas, assim como registros de crimes, sobretudo assaltos.

Tanto Beltrame quanto Ideli propõem um pacto pela segurança. Não se trata de novidade, ao contrário: sugerem-se mutirões, uniões e compromissos há anos, sem que efetivamente se dê um passo concreto contra o banditismo. A lista de problemas é extensa. Há que se olhar para as fronteiras, queijos suíços por onde escoam drogas e armas; é urgente discutir atualizações no Código Penal, e o sistema penitenciário é uma bomba-relógio.

Trabalho, portanto, não falta. De discursos, indignações e sobretudo vítimas o Brasil está farto. Quando virão as ações?

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