Editorial: Inclusão e o estigma das favelas

A desigualdade, a despeito dos esforços dos últimos governos, ainda faz estragos no país

Por O Dia

Rio - A desigualdade, a despeito dos esforços dos últimos governos, ainda faz estragos no país. E se manifesta, dentre outras formas, através do estigma, tipo de preconceito mais indelével, mais espraiado, que retrata bem o abismo que insiste em segregar. Pesquisa do Data Popular que O DIA detalhou ontem mostrou que metade dos brasileiros não contrataria “favelados” para trabalhar em casa. Há solução para essa ignorância: Educação, qualificação e oportunidades.

O levantamento, de escopo nacional, ratifica outros estereótipos negativos: dois terços dos entrevistados afirmam temer passar perto de uma favela, e metade a associa a violência e drogas. Predomina o velho discurso da cidade partida, de tomar a parte pelo todo, de generalizar por baixo.

A pesquisa pondera que no Rio, graças ao peculiar amálgama entre morro e asfalto, o estranhamento é menor — mas ainda está lá. O processo de pacificação, que ora enfrenta feroz resistência do tráfico, conseguiu reduzir as desigualdades. A parte social do programa, porém, ainda precisa avançar, como o secretário José Mariano Beltrame sempre ressalta em suas declarações.

A boa notícia é que o tripé Educação-qualificação-oportunidades vem, sim, desconstruindo esse estigma, como o próprio Data Popular fotografou. Esta geração de domésticas está conseguindo dar um futuro melhor aos filhos. É só o começo, pois dentro das comunidades carentes há muita gente dedicada que batalha no Ensino Superior e tem tudo para brilhar numa miríade de profissões. Basta que o governo siga nas políticas de inclusão.

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