Cid Benjamin: Por uma frente de esquerda

O segundo governo Dilma Roussef envelheceu precocemente

Por O Dia

Rio - O segundo governo Dilma Roussef envelheceu precocemente. Descumpriu promessas de campanha e aplica um duro ajuste fiscal, que retira direitos dos trabalhadores e faz cortes profundos nos investimentos sociais. Joga nas costas dos assalariados os sacrifícios para a saída da crise.

Esperar que o governo modifique seus rumos como resultado de disputas na sua base é ilusão. Só a pressão popular conseguirá reverter o quadro. A manifestação da Quinta-Feira Vermelha, em São Paulo, no último dia 25, com ocupação das ruas, exigindo que a crise seja enfrentada com medidas que não penalizem ainda mais os pobres.

Essas medidas são conhecidas: imediata redução dos juros; reforma tributária que corrija as gritantes injustiças; aumento de impostos para bancos e taxação dos movimentos do capital financeiro; criação do imposto sobre grandes fortunas; e fim da isenção fiscal para exportações de commodities e da isenção tributária na distribuição de lucros e dividendos, que, na prática, isenta os grandes executivos do pagamento de impostos.

É necessário, ainda, proibir o financiamento de campanhas e candidatos por empresas e barrar a pauta conservadora imposta ao Congresso, seja por Eduardo Cunha e Renan Calheiros, seja pelo próprio governo. Para tal, é preciso ampla unidade, com a conformação de uma frente que seja voltada para a sociedade, mesmo que construa uma representação política com partidos, setores e personalidades de esquerda.

Essa frente deve ter como objetivo estimular um novo ascenso de massas, condição para alterar a correlação de forças. Ela deve ser independente do governo Dilma e de oposição ao projeto neoliberal, mas aberta a petistas e governistas descontentes. Não pode se confundir com o movimento em torno da chamada Frente Brasil, que mais parece uma tentativa de socorrer o governo. Não pode, também, ter qualquer conotação eleitoral. A necessária denúncia do golpismo da extrema-direita não pode levar ao imobilismo da esquerda diante do quadro atual. Seria um erro imperdoável.

Cid Benjamin é jornalista

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