Bianca Acampor: A falta que a ANA faz

É lamentável que o Ministério da Educação decidiu cancelar importante ferramenta da Educação Básica

Por O Dia

Rio - É lamentável que o Ministério da Educação decidiu cancelar importante ferramenta da Educação Básica. Por conta do ‘ajuste fiscal’, a Avaliação Nacional da Alfabetização não deverá ser feita. Trata-se de um exame direcionado para estudantes matriculados no 3º ano do Ensino Fundamental, fase final do Ciclo de Alfabetização, e insere-se no contexto de atenção voltada à alfabetização.

A ANA é importante pois produz indicadores que contribuem para o processo de letramento nas escolas públicas brasileiras, propondo uma análise das condições de escolaridade que os alunos tiveram, visando a desenvolver todos os saberes do processo de alfabetização.

A primeira edição da ANA foi em 2013. A terceira edição ocorreria em 2015. De acordo com o Inep, responsável pela aplicação das provas, o propósito era o de fazer uma por ano, apesar da crise econômica e da dificuldade de caixa do governo.

O cancelamento da ANA pode comprometer os efeitos do Pacto Nacional pela Alfabetização na Idade Certa em sala de aula através dos índices obtidos. Dificultam-se ainda as análises do professor dos resultados obtidos através da ANA e, consequentemente, a reflexão sobre o próprio trabalho docente e a prática didática, além da descontinuidade das políticas públicas, pois os resultados anuais são indispensáveis para o Pacto Nacional.

O Índice de Desenvolvimento Educação Básica não é composto pela ANA, mas pode auxiliar para que os estudantes que são alfabetizados até o 3º ano tenham continuidade das ações pedagógicas e consigam ter bom desempenho na Prova Brasil, no 5º ano. Além disto, os índices de evasão e repetência nesse ciclo influenciam diretamente nos resultados do Ideb dos municípios. Torcemos para que este quadro seja revertido o mais breve possível.

Bianca Acampor é psicopedagoga

Últimas de _legado_Opinião