Jaguar: Gastão e seus irmãos

Em tempo: agora que parei de beber, que tal uma HQ para lançar a Skol sem álcool?

Por O Dia

Rio - Domingo passado, saiu na contracapa do suplemento ‘Ilustríssima’, da ‘Folha de S. Paulo’, um desenho que fiz de Gastão, o Vomitador, personagem que lancei (e matei) em 1972, no ‘Pasquim’. Na época, Marcos Augusto, da ‘Ilustríssima’, que me convidou para exumar o personagem, tinha 17 anos. Levei um susto ao ver um Gastão gigante, 43 anos depois, dando uma baita vomitada em página inteira do jornal. Embaixo, o seguinte texto: “A avalanche de acontecimentos deploráveis dos últimos tempos (da desfaçatez da política corrupta ao rompimento das barragens em Mariana, passando por atentados terroristas, manifestações de ódio e difusão de ideias medievais, incentivou esta ‘Ilustríssima’ a convidar Jaguar a ressuscitar seu personagem Gastão, o Vomitador.

Ao receber o convite, o cartunista carioca comentou que sua mulher também lembrara-se recentemente do homenzinho que vomita. Jaguar explica sua criação: ‘Gastão, o Vomitador, nasceu na entrevista que o ‘Pasquim’ fez com Carlos Manga, publicada no nº 153 (julho de 1972). Nela, Manga confessou um crime hediondo: ele foi o inventor do júri de televisão. Ilustrei sua declaração com o Gastão vomitando. Gastão teve vida breve.

Como ele não sabia fazer outra coisa além de vomitar, enjoei de desenhá-lo e o despedi.’” Como tudo na minha vida, comecei por acaso a fazer histórias em quadrinhos (hoje chamam de HQs). Em 1967 Zequinha Castro Neves, boêmio e publicitário (nessa ordem), me encomendou uma HQ para divulgar o lançamento da cerveja Skol no Brasil, em 1967 . Nunca tinha feito; desde 1952 só publicava cartuns. Com o auxílio luxuoso de Ivan Lessa, inventei uma tirinha intitulada ‘Chopnics’ (mistura de chope e beatniks, do movimento que fazia a cabeça da moçada nos anos 60).

A historinha, publicada diariamente no ‘Globo’ e no ‘Jornal do Brasil’, fez o maior sucesso. O pessoal da Banda de Ipanema era facilmente reconhecível pelos leitores: Hugo Bidet e o rato branco que levava sempre no ombro eram os astros da história como Capitão Ipanema e Sig. Não sei dizer quanto tempo durou. Suponho que o suficiente para emplacar a cerveja. Como o Sig depois virou o rato-propaganda do ‘Pasquim’, é lembrado até hoje. Lancei no jornaleco alguns personagens de HQ que duraram pouco: Bóris, o Homem-Tronco; Wilson, o Dubitativo; a Anta de Tênis; Lulu, o Protozoário (apenas uma tira publicada), o Bicho Borka e outros que esqueci. Em tempo: agora que parei de beber, que tal uma HQ para lançar a Skol sem álcool?