Aristóteles Drummond: País deve seguir os sinais de riqueza

A paixão política conduz frequentemente a marcar homens públicos como ladrões

Por O Dia

Rio - A paixão política conduz frequentemente a marcar homens públicos como ladrões, negocistas, aproveitadores das posições para benefício pessoal e de seu seus familiares. Muitas vezes de maneira injusta, que o tempo acaba por desmentir. Muitos dos acusados viveram modestamente até o fim da vida e nada deixaram de herança. A história está cheia de exemplos, inclusive de acusadores que, quando puderam, se fartaram de ganhar dinheiro de maneira controversa, criando até grupos empresariais.

O inegável é que existem casos que são inexplicáveis pela presença de imóveis, automóveis, obras de arte e contas bancárias incompatíveis com os vencimentos declarados. ‘Consultorias’ e ‘palestras’ se tornaram rotina para justificar o enriquecimento ilícito, feitas apenas para atender ao Fisco, na certeza de que a impunidade pelos malfeitos estaria garantida.

No nosso continente bolivariano e afins, as famílias dos mandatários prosperam de um dia para o outro. O ex-presidente do Uruguai Jose Mujica é a exceção. Esquerdista oriundo do movimento terrorista Tupamaros, vive modestamente, mesmo quando do exercício do cargo, assim como a mulher, política radical, mas ambos acima de qualquer suspeita.

A Justiça não pode se ater a formalismos na apuração dos malfeitos. Os sinais exteriores de riqueza valem como prova do enriquecimento ilícito. A própria Receita deveria passar pente-fino nos automóveis de valor superior a R$ 300 mil, por exemplo. Nas apurações em curso, verificar se o valor declarado de imóveis é compatível com os praticados pelo mercado. Hoje em dia não é difícil identificar o gasto de dinheiro sem procedência. Basta querer, pois é mais fácil do que chegar à origem.

Vivemos na impunidade. O que tem acontecido ainda é pouco diante da realidade. E mesmo quando se evidencia a fraude — como as palestras recebidas e não feitas pelo hoje governador de Minas na Federação das Indústrias, que tem controle do TCU —, fica por isso mesmo. Apesar de o absurdo de, no exemplo citado, terem custado R$ 2,5 milhões.

O pior é que não apareceu ainda um movimento sério, sem conotação política ou ideológica, para que o país mude, a exemplo do que ocorreu, com sucesso, na Itália. O TSE pode colocar em pauta processos que darão um choque de credibilidade a esse esforço nacional pela moralidade.

Aristóteles Drummond é jornalista

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