Marcus Espínola: CCC: Crise, Carnaval e Coragem

O clima de tensão está no ar, pois a violência também parece avançar

Por O Dia

Rio - Por mais que a gente tente falar de outro assunto, buscando uma agenda positiva, não conseguimos. As perspectivas continuam pessimistas, e a estimativa de melhora já é só para 2018. Em tempos de mais um ‘BBB’, o que prevalece na vida real é o CCC: Crise, que parece não ter fim; Carnaval, que se aproxima e nos dá quatro dias de ilusão, fazendo-nos esquecer da realidade; e Coragem para seguir em frente num futuro nebuloso.

Os entraves causados pela crise se mantêm. Falta dinheiro, as empresas estão em dificuldades, cortando custos, demitindo. O trabalhador é o mais atingido, pois os aumentos não param, e o salário, inevitavelmente, está cada vez mais curto. O cerco está fechando, e o desespero tem batido à porta de muitas famílias.

Embora a situação esteja chegando a esse nível, o que se vê insistentemente são discursos invasivos, troca de farpas e intermináveis denúncias. A cada delação, ingredientes surgem num esquema que mobilizou muita gente e movimentou cifras incalculáveis.

Como consequência, serviços sociais básicos, como o da Saúde, estão comprometidos, e de forma criminosa estamos perdendo vidas. Os estados estão passando por sérias dificuldades. Em cada hospital o cenário é caótico. Os efeitos do ‘golpe’ sofrido pela Petrobras e a baixa do petróleo estão fazendo com que o Rio sinta a falta de recursos. Cidades como a de Macaé estão em desespero, pois o que alavancava a economia eram empresas do setor.

O clima de tensão está no ar, pois a violência também parece avançar, embora o Instituto de Segurança Pública tenha divulgado que na cidade do Rio, em 2015, foram registrados 18,6 homicídios dolosos por 100 mil habitantes, a menor taxa em 25 anos. Contra fatos não há argumentos, mas o que se vê pelas ruas é um clima de medo e insegurança diante de seguidos confrontos entre polícia e bandidos. Aliás, outro fator que chamou a atenção foi o número de policiais mortos, que aumentou em 2015.

Enfim, às vésperas da maior festa popular do mundo, o que nos resta é nos apegar a outros três ‘Cs’. De Coração firme, termos Cautela e Cuidado para não extrapolar e nos prepararmos para, efetivamente, iniciarmos o ano produtivo que, no Brasil, tradicionalmente (e eu incluiria, equivocadamente), se convencionou a acontecer pós-festa pagã.

Marcos Espínola é advogado criminalista

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