Eugênio Cunha: O legado da Paralimpíada

Cidades que sediaram grandes eventos legaram para seus habitantes melhorias substanciais

Por O Dia

Os Jogos Paralímpicos do Rio começam no dia 7 de setembro, e a chance de o Brasil conquistar medalhas é bem grande. Somos uma potência nas modalidades paralímpicas. Serão 279 atletas buscando levar a nossa bandeira à posição mais alta do pódio. Nos Jogos de Londres, em 2012, o Brasil teve seu melhor desempenho e ficou na sétima colocação, com 43 medalhas, sendo 21 de ouro, 14 de prata e oito de bronze, bem mais que as 19 medalhas conquistadas nos Jogos Olímpicos do Rio.

Ressalta-se, todavia, que os Jogos Olímpicos alcançaram êxito e trouxeram expectativas positivas para a Paralimpíada, uma vez que as chances de pódio são ainda maiores. Agora, fala-se do legado para a cidade. Na maioria das vezes, pensa-se em obras que foram realizadas, melhorias nos transportes públicos e tantas outras modificações estruturais relacionadas ao cotidiano das pessoas. O carioca tem esse direito. Cidades que sediaram grandes eventos legaram para seus habitantes melhorias substanciais.

É preciso pensar, no entanto, em que legado poderíamos esperar da Paralimpíada. Acredito que se trata de aspectos mais relacionados à complexidade humana, ao espírito de superação, à qualidade do caráter e da condição sempre presente em homens e mulheres que, com contumaz perseverança, tornam-se resilientes diariamente, como é comum ao brasileiro.

Mas é preciso que o Estado deixe sua resposta ao exemplo dos atletas paralímpicos, instituindo políticas públicas de proteção dos direitos da pessoa com deficiência, com ações que permitam acessibilidade e permanência em escolas, universidades e no mercado de trabalho. Com ações que reconfigurem a estrutura urbana das cidades, ainda extremamente excludente, criando condições democráticas e cidadãs, eliminando barreiras do preconceito, da discriminação e da indiferença. Políticas que assegurarem e promovam possibilidades de igualdade no exercício da liberdade de todo cidadão, independentemente de deficiências.

Para além das transformações arquitetônicas, a excelência dos atletas paralímpicos inspira o nosso trabalho e esforço para a construção de sociedade mais justa, onde as diferenças são somadas para que se estabeleça a convivência dialógica entre direitos e deveres. Talvez seja o maior legado que a Paralimpíada deixará.

Eugênio Cunha é professor e jornalista

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