PM diz que mais de 40 foram presos em manifestação na Zona Sul e Centro

Segundo a corporação, nove pessoas foram autuadas em flagrante por formação de quadrilha

Por O Dia

Rio - A Polícia Militar informou, na manhã desta sexta-feira, que 46 pessoas foram presas por atos de vandalismo durante a manifestação desta quinta. Destas, nove foram autuadas em flagrante por formação de quadrilha. De acordo com nota da corporação, 150 PMs atuaram no protesto que seguiu pacífico até 19h30.

Em seguida, vários indivíduos mascarados, vestidos de preto, começaram a praticar atos de vandalismo. Lixeiras foram incendiadas, tapumes de lojas foram arrancados e morteiros pedras e bombas arremessados em direção a prédios e pessoas.

Funcionários trabalham no entorno do Palácio GunabaraSeverino Silva / Agência O Dia

Houve a intervenção da PM para conter o grupo com a utilização de munição química. Segundo a polícia, foi necessário o acionamento do Batalhão de Choque em razão dos violentos atos de vandalismo.

No Palácio Guanabara, por volta das 20h05, um grupo infiltrado entre os manifestantes arremessou um coquetel molotov em direção ao prédio e morteiros foram arremessados contra a tropa da Polícia Militar, que reagiu com o emprego de armamento não letal.

Um policial militar foi ferido na cabeça vítima de uma pedrada.

Manhã de limpeza e prejuízos

Comerciantes e agentes da Prefeitura contabilizam os prejuízos na manhã desta sexta-feira após a manifestação que terminou em confronto em frente ao Palácio Guanabara, em Laranjeiras.

Na Rua Pinheiro Machado, em frente à sede do governo, funcionários da Secretaria de Obras trabalham soldando grades que cercam canteiros e foram arrancadas durante confronto entre PMs e manifestantes. Placas de sinalização de trânsito também acabaram quebradas.

Vidro quebrado de agência bancária após protesto que terminou em confrontoSeverino Silva / Agência O Dia

Na Rua Paissandu, caçambas de lixo foram arrancadas e queimadas por vândalos. Pedras portuguesas foram arrancadas do chão e usadas como armas. Câmeras de segurança localizadas na parte externa de edifícios acabaram depredadas.

Dona de uma banca de jornais da Rua Paissandu, Kenia Melo, de 52 anos, contabilizou prejuízo de R$ 500 nesta sexta. "Minha filha me ligou ontem à noite e disse que estavam quebrando a banca. Preferi esperar e vir pela manhã. Por sorte, a porta da banca afundou e não conseguiram saquear os produtos", afirmou a comerciante, que trabalha há 15 anos no local.

Na Rua Marques de Abrantes, no Flamengo, uma agência do Bradesco teve portas e vidros quebrados. Apesar disso, o local funciona normalmente nesta sexta. Na Candelária, no Centro, onde o protesto teve início, uma vidraça da igreja foi quebrada.

Patrulhas da PM reforçam a segurança na Rua Pinheiro Machado, em frente ao Palácio Guanabara, e também em vias próximas. No início da madrugada, uma advogada, que tinha sido detida e levada para a 12ª DP (Copacabana), foi autuada por desacato e liberada por volta de 2h.

Na 5ª DP (Mem de Sá), das 35 pessoas detidas, três foram presas e autuadas por formação de quadrilha e corrupção de menores, segundo a PM. São elas: Rodrigo Faria Barreto, 20 anos, Armando Herz de Faria, 19 e Francisco Iranildo Nunes Alves, 24.

Polícia usa truculência para dispersar manifestantes

A Polícia Militar, em um exercício de truculência, atirou a esmo em manifestantes que voltaram a ocupar a Rua Pinheiro Machado, em frente ao Palácio Guanabara, pedindo a renúncia do governador Sérgio Cabral. Por volta das 22h desta quinta, mais de mil pessoas retornaram à via e foram recebidas com balas de borracha e bombas de gás lacrimogênio.

Confronto cercou Palácio e levou pânico à Zona SulReuters

Em protesto, moradores de prédios vizinhos bateram panelas em janelas e a PM reagiu atirando contra os edifícios. Muitas pessoas foram presas sem saber o motivo.

Os policiais, em sua maioria do Batalhão de Choque (BPCHq), estavam com os nomes cobertos na farda ou máscaras nos rostos. A via foi desocupada às 22h40. Vários populares ficaram feridos ou passaram mal com as ações da polícia e foram socorridos pelo Corpo de Bombeiros e médicos de hospitais próximos.

Muitas pessoas se trancaram em academias, lojas e edifícios. A Clínica Pinheiro Machado abriu a porta para abrigar manifestantes que pediram ajuda. Houve pânico, e o gás chegou a dominar o primeiro andar da unidade, obrigando quem tentou se abrigar a ocupar o segundo. O local teve ainda vidraças quebradas por balas de borracha. Isoladas lá dentro, pessoas pediram ajuda pelo celular.

Na Praça São Salvador, os PMs do Choque encurralaram manifestantes e revistaram grupos nas ruas adjacentes ao Palácio. Pedestres foram obrigados a deitar no chão. Mais tarde, um ônibus da polícia levou diversas pessoas. Inconformados, moradores dos prédios e populares tentaram intervir, pedindo pela soltura dos detidos.

A Rua Marquês de Abrantes, esquina com Paissandu, chegou a ser bloqueada por homens portando escudos. Ainda não há informações sobre o número de feridos.

Cabral: 'Vandalismo não será tolerado'

O governador Sérgio Cabral se pronunciou através de nota nesta quinta-feira após a manifestação. O grupo chegou a pedir a renúncia do governador e houve tumulto entre manifestantes e policiais. A confusão se espalhou por várias ruas da região como a Senador Vergueiro e a Paissandu.

"O vandalismo não será tolerado no Estado do Rio de Janeiro. Grupos que vão para as ruas com o objetivo claro de gerar o pânico e destruir o patrimônio público e privado tentam se aproveitar das recentes manifestações legítimas de milhares de jovens desejosos de participar e aperfeiçoar a democracia conquistada com muita luta pelo povo brasileiro", declarou, reiterando o discurso que mantém desde o começo das manifestações no país.

PMs atiram bombas em manifestantes

Policiais militares que cercavam o Palácio durante a manifestação na sede do executivo estadual atiraram bombas de gás lacrimogênio e balas de borracha em direção aos mais de 400 manifestantes, por volta das 20h. A confusão começou após fogos de artifício serem apontados para dentro do Palácio.

Após o tumulto, os PMs atiraram bombas em direções às ruas transversais à Pinheiro Machado, para que os ativistas não voltassem ao local. Os policiais ainda jogaram gás indiscriminadamente no sentido oposto da via, para dispersar a manifestação. Muitos correram para a Praia de Botafogo, onde os PMs ainda lançaram mais bombas no trecho da Rua Farani. A Prefeitura liberou a Rua Pinheiro Machado no sentido Zona Norte por volta das 21h10.

As luzes na Rua Paissandu foram apagadas e, com a confusão, as palmeiras da via foram queimadas. Na Rua Marques de Piñedo, houve dois focos de incêndio, que foram apagados pelo Corpo de Bombeiros. No Aterro do Flamengo foram registradas confusões entre policiais do Batalhão de Choque e membros do Black Bloc.

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