Erir Ribeiro: 'Intrigas só podem partir daqueles que não sabem comandar'

Três nomes são cotados para assumir o cargo de comandante da PM

Por O Dia

Rio - O coronel Erir Ribeiro Costa Filho agradeceu, nesta terça-feira, o apoio de militares através de sua conta na rede social Facebook. Ele foi exonerado do cargo de comandante da Polícia Militar, na noite desta segunda-feira, pelo secretário de Segurança Pública José Mariano Beltrame. 

Coronel Erir Ribeiro agradece apoio de outros militares após ser exonerado do cargoCarlo Wrede / Agência O Dia

"Eu Erir Ribeiro Costa Filho, coronel da PM, agradeço a cada policial militar que ombreou junto a mim neste um ano e 10 meses que estive à frente do comando da corporação. Sinto orgulho de poder ter contado com meus policiais nos momentos de instabilidade social nos últimos dois meses e sei que vocês sentiram o mesmo. Alguns querem desmerecer meus atos, com informações falsas de que serei candidato. Essas intrigas só podem partir daqueles que não sabem comandar, chefiar ou dirigir. Enfim, trabalhei todos esses anos pela minha corporação, pelos meus policiais, sem esperar nada em troca. O respeito e a amizade dos meus comandados são a minha maior vitória. Obrigado", agradeceu.

A expectativa para o anúncio de quem assumirá o comando da Polícia Militar é grande. Até o momento, os nomes mais cotados para o cargo são os dos coroneis Ricardo Pacheco, Jorge Freitas e Paulo Henrique de Morais, atual comandante da Coordenadoria de Polícia Pacificadora.

Cabral diz que postura de Erir é exemplar

Em nota, o governador Sergio Cabral agradeceu a colaboração pelo 1 ano e 10 meses do coronel à frente da PM. "Quero agradecer toda a dedicação, lealdade e seriedade do Coronel Erir da Costa Filho à causa pública e ao serviço da Segurança Pública em nosso estado. Costa Filho é um exemplo de oficial." 

Cabral acrescentou que “a troca de comando da PM não mudará em nada a política de pacificação no estado do Rio”. A polêmica anistia a policiais militares com punições foi a principal causa para a queda do comandante da PM.

Enfraquecido

O episódio da anistia na queda de Erir Ribeiro foi apenas a gota d’água. Os erros na condução da tropa nos protestos de junho e julho, e o retorno da PM de forma negativa aos noticiário — como o desaparecimento do pedreiro Amarildo de Souza após ser preso por policiais da UPP da Rocinha — enfraqueceram o coronel e deram espaço às críticas. Nos últimos dias, Beltrame já não escondia dos principais assessores a necessidade de mudar o comando para oxigenar a PM.

Insatisfeito com a decisão de livrar a cara dos agentes infratores, Beltrame expôs a Erir a necessidade de revogar a decisão para manter a doutrina de pulso firme contra os deslizes da tropa. O chefe da PM bateu o pé e alegou que o indulto só beneficiava faltas disciplinares administrativas, contidas no rigoroso código de conduta militar.

Numa nota sucinta, a Secretaria de Segurança resumiu a saída de Erir Ribeiro como um ato normal na gestão de governo. “Mudanças fazem parte do processo de gestão e devem ser vistas com naturalidade", disse Beltrame, que destacou o empenho do coronel no comando da PM.

Beltrame e Erir num evento na Baixada%3A secretário não estava satisfeito com a condução da tropa%2C especialmente nos protestos e no caso AmarildoPaulo Alvadia / Agência O Dia


Policiamento ostensivo e comunitário

O coronel Erir Ribeiro assumiu o comando da PM com prazo de validade. E ele expirou há muito tempo. A ideia era esquentar a cadeira até a Secretaria de Segurança encontrar o nome ideal para tocar o projeto de policiamento ostensivo e comunitário do governo. O tempo passou e a falta de opções fez Erir se manter no cargo.

Com hábitos humildes e experiência na cúpula da PM — foi diretor na gestão de Gilson Pita —, Erir se apegou à cadeira e, nos últimos meses, já nem despachava com o secretário Beltrame. Com os episódios das manifestações no Leblon, aproximou-se de Sérgio Cabral e passou a tratar dos assuntos administrativos direto com o governador, magoando alguns chefes na Secretaria de Segurança.

Cobrança por explicações

Beltrame não engoliu a anistia aos PMs e, pior, ficou sabendo da decisão somente através dos jornais. No domingo, foi contundente: queria transparência nas ações e explicações plausíveis da PM adotar as medidas. O benefício atinge, segundo a PM, a 450 policiais punidos por atos de indisciplina como atraso no serviço, faltas e ausências não justificadas, além de falhas pontuais na condução do trabalho.

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