Incêndio em contêiner da UPP foi causado por coquetel molotov, diz PM

Base ficou completamente destruída após protestos no Complexo do Lins por conta de uma menina de sete anos baleada na comunidade

Por O Dia

Rio - A Polícia Militar confirmou na manhã desta segunda-feira que um coquetel molotov foi o que ocasionou o incêndio na base avançada da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP), que fica no alto da comunidade do Gambá, no Complexo do Lins, Zona Norte do Rio. Além disso, uma viatura também ficou danificada. Dois suspeitos acabaram presos pela PM. Deivid Alexandre Dias de Almeida, de 24 anos, conhecido como DV, e Rogério da Silva Araújo, de 26 anos, registiram a prisão e agrediram os policiais.

Contêiner no Morro do Gambá%2C no Complexo do Lins%2C ficou completamente destruído após o incêndioSeverino Silva / Agência O Dia

A confusão, que culminou com o incêndio do contêiner da UPP, começou quando uma menina de sete anos, foi baleada dentro de casa, em Cachoeira Grande, por volta das 16h30, deste domingo. Baleada no ombro direito, a criança foi encaminhada para o Hospital Salgado Filho, no Méier, teve alta na manhã desta segunda-feira e está na casa de parentes, no bairro do Engenho Novo, na Zona Norte.

De acordo com a mãe da vítima, Andreia Henrique da Silva, ela estava em casa, em Cachoeira Grande, com os cinco filhos vendo TV, quando por volta das 16h30, a menina foi pegar um refrigerante e foi atingida de raspão no ombro. Segundo uma vizinha de Andreia que não quis se identificar, o disparo saiu da arma de um PM, no momento em que ele perseguia um suspeito no local. Ainda de acordo com informações, a Polícia Militar teria se negado a socorrer a menina, que foi levada para o Hospital Naval Marcílio Dias, também no Lins, sendo transferida depois para o Salgado Filho.

Segundo com o tenente Gustavo Matheus, comandante da UPP na comunidade, os policiais que estavam de serviço no local foram ouvidos e que não houve registro de disparos e confrontos com PMs da UPP no momento em que a menina foi ferida. O caso foi encaminhado para a 26ª DP (Todos os Santos).

Carro da PM é destruído durante protesto no LinsCaio Barbosa / Agência O Dia

Após a menina ser baleada durante confronto entre policiais e traficantes, diversos atos violentos aconteceu no local, como o fechamento da Autoestrada Grajaú-Jacarepaguá, incêndio de veículos e de um contêiner da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP), no acesso ao Morro do Gambá.

Durante a madrugada o cenário no bairro era de uma praça de guerra. O tumulto começou por volta das 21h30. Os moradores do Morro da Cotia, que fica às margens da pista sentido Zona Norte. Eles fecharam a via e atearam fogo a entulhos, lixo e madeira. PMs da UPP tentaram intervir e foram atacados. Além da viatura 54-5486 que ficou destruída, houve tentativa de queimá-la com os policiais dentro do veículo, segundo PMs.

O ônibus da linha 600 (Praça Saens Pena-Taquara), da Viação Redentor, foi cercado e queimado, além de uma Fiat Uno. A revolta se generalizou pelo bairro. Na Rua Lins de Vasconcelos, um ônibus da linha 606 (Engenho de Dentro-Rodoviária), via Boca do Mato, da Viação Mathias, foi incendiado. De acordo com o funcionário de um posto de combustíveis que fica a dez metros do local, o estabelecimento só não foi alvo dos manifestantes porque a PM chegou rapidamente ao local.

"O posto já tinha fechado. Estava jogando água no veículo de um último cliente quando ouvi uma explosão. Vi um homem com roupa de rodoviário fugindo desesperado. Quando olhei o ônibus já estava em chamas e várias pessoas correndo. Se o posto está aberto e esse ônibus é queimado aqui em frente seria um tragédia", descreveu o frentista, que preferiu não se identificar por medida de segurança.

Um dos três ônibus queimados durante o protesto no Complexo do LinsOsvaldo Praddo / Agência O Dia

Comércio local segue fechado nesta segunda-feira

Na Rua Vilela Tavares, onde o comércio local está fechado na manhã desta segunda-feira, um ônibus da linha 651 (Méier-Cascadura), da Viação Estrela, também foi atacado e destruído, a cerca de 50 metros da entrada do Marcílio Dias. As chamas do ônibus atingiram o segundo andar de um armazém. Os manifestantes fizeram várias barricadas na via com paus, sacos, madeira e entulho. Uma Kombi teve o vidro dianteiro atingida por pedradas. Bombeiros do quartel do Méier precisaram de apoio da PM para chegar ao local e combater o fogo.

Durante a confusão houve troca de tiros entre PMs e traficantes. Policiais do Batalhão de Choque, do 6º BPM e de várias UPPs seguiram para a região. De madrugada foram ouvidas explosões e disparos de arma de fogo. Não foram registrados outros incidentes até o início da manhã. Técnicos da Light trabalham para tentar restabelecer a energia elétrica na região.

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