Mães sem creche e sem opção

Morte de criança alerta para o risco de deixar os filhos com pessoas sem qualificação

Por O Dia

Rio - O caso da babá Ingrid de Carvalho Cristino, 20 anos, acusada de matar um bebê de 7 meses, na quarta-feira, soou como um alerta aos pais que deixam seus filhos com pessoas sem referência ou formação para a atividade. A falta de vagas suficientes em creches públicas acaba obrigando mães que precisam trabalhar a recorrer a favores e serviços de vizinhos e conhecidos para deixar os filhos, o que pode ser um risco. Especialista em Psicologia e Educação da UFRJ aponta que o serviço de cuidador em casa pode comprometer o desenvolvimento das crianças.

Conseguir uma vaga em uma das 200 unidades do Espaço de Desenvolvimento Infantil (EDI) ou nas 247 creches da prefeitura não é tarefa fácil. As inscrições abrem apenas uma vez ao ano e todos são submetidos a um sorteio público, que obedece a prioridades, como crianças beneficiárias do cartão Família Carioca e do Bolsa Família.

Nazareth Dias é de confiança das mães e as crianças a adoramVander Alvim / Agência O Dia

30 mil vagas 

A Secretaria Municipal de Educação não divulgou a atual lista de espera em sua rede. No entanto, o órgão trabalha com a meta de criar, até 2016, 30 mil vagas em suas instituições e mais 78 espaços infantis.

“A criança precisa se socializar e o ambiente dessas casas não é indicado para isso”, afirma a psicóloga Monica Pereira dos Santos, que atua como pesquisadora de Educação na UFRJ.

Há uma longa fila de espera nas creches municipais. “Estou desde o ano passado tentando uma vaga para o meu filho de 2 anos em creche de Campo Grande, e nunca consigo. Deixo-o na casa de uma pessoa porque preciso trabalhar”, conta a vendedora Leticia Santos, 32 anos.

Ontem, o corpo de Paulo Henrique, de 7 meses, morto no Morro do São Carlos, no Estácio, foi enterrado no Cemitério do Catumbi. A babá é acusada de matar a criança porque ela estava chorando muito e não a deixava dormir.

Preço mais baixo é saída para muitos

O preço mais em conta também é um atrativo a favor das cuidadoras. Na Lapa, a babá Nazareth Lima Dias faz pacote de R$ 250 mensais para tomar conta de crianças em sua casa. As crianças a adoram.

Ontem, oito estavam sob sua responsabilidade. “Fico com elas até as mães saírem do trabalho. Vou buscar na escola”, detalha Nazareth.

Ela tem como mais novo da turma um bebê de 1 ano. “A mãe não confia na creche e preferiu deixar a criança comigo”, completa a cuidadora de confiança das mães dos pequenos.


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