Moradores e comerciantes de bairro em Nova Iguaçu denunciam ações de criminosos

Aumento da violência muda a rotina de quem vive do K-11, que passou a ser dominado por traficantes

Por O Dia

Rio - O aumento da violência no K-11 mudou a rotina de quem vive ou trabalha nesse bairro de classe média de Nova Iguaçu. De acordo com relatos de moradores, muitos pedestres só andam nas ruas em grupos e comerciantes decidiram fechar as portas mais cedo, mesmo amargando prejuízos. Tudo por causa das seguidas ações criminosas registradas na região.

Denúncias apontam que o Morro do K-11 passou a ser dominado por traficantes do morros da Caixa D’Água e da Coreia, em Mesquita, que teriam abrigado criminosos que fugiram da Vila Kennedy, em Bangu, após a ocupação da comunidade da Zona Oeste carioca por forças de segurança no mês passado. Bandidos dessas três quadrilhas teriam invadido o Morro do K-11 para ditar as “novas regras.”

Em vez de obra%2C assaltos%3A em protesto contra a violência na área%2C moradores rasuraram placa da prefeituraJosé Pedro Monteiro / Agência O Dia

No bairro, donos de lojas contaram que são ameaçados de morte caso não façam doações de alimentos e paguem taxas mensais de até R$ 200 a grupos que circulam em motos, exibindo fuzis e pistolas.

“Depois de ser assaltado cinco vezes em menos de quatro meses, coloquei câmeras na loja e ao redor dela. Vale de tudo para fugir da bandidagem. A situação está pior este ano”, disse um comerciante que, há cerca de 15 dias, teve escopeta apontada para o rosto ao se deparar com bando numa entrega.

“Agora só faço entregas de moto com o farol baixo e o capacete sem visor para que vejam meu rosto e não me confundam com um criminoso rival”, concluiu a vítima, lembrando que bandidos roubaram da loja dele dez quilos de linguiça e R$ 11 em moedas. “Foi inusitado”, lembra.

De acordo com o servidor Eduardo Pereira, de 34 anos, criminosos fogem pela mata do Morro do K-11. “Tomávamos banho na cachoeira do Parque Municipal, mas nossa diversão acabou por causa dos bandidos que ficam no local.”

De acordo com o major Roberto Dantas, subcomandante do 20º BPM (Mesquita), a população não está registrando os crimes. “Pela mancha criminal, elaboramos um planejamento”, explicou. Segundo ele, o batalhão prende 180 pessoas em média por mês nas três cidades onde faz o policiamento: Nova Iguaçu, Nilópolis e Mesquita.

União para combater a violência

Durante encontro semana passada com o prefeito de Nova Iguaçu, Nelson Bornier, e delegados da Baixada, a cúpula da Polícia Civil prometeu uma resposta rápida contra a criminalidade. “Além do K-11, me preocupa o corredor da Estrada de Madureira, onde há muitas comunidades com tráfico”, salientou Bornier. O subchefe operacional da Polícia Civil, Fernando Albuquerque, disse que tem grande número de traficantes identificados em Nova Iguaçu.

Colaborou: Bianca Lobianco

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