Corpo de dançarino do 'Esquenta' será sepultado na tarde desta quinta-feira

Douglas Rafael da Silva Pereira, o DG, foi morto com um tiro no Pavão-Pavãozinho, em Copacabana

Por O Dia

Rio - O corpo do dançarino Douglas Rafael da Silva Pereira, o DG, será sepultado às 15h desta quinta-feira, no Cemitério São João Batista, em Botafogo, na Zona Sul. Ele, que fazia parte do "Esquenta", programa da Rede Globo, foi encontrado morto com um tiro e vários ferimentos, na comunidade Pavão-Pavãozinho, em Copacabana, na última terça-feira.

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O tiroteio entre policiais e traficantes que vitimou o dançarino pode não ter começado de forma casual. O secretário de Segurança Pública José Mariano Beltrame disse que os PMs foram atacados a tiros na localidade Vietnã por bando que tinha o aval do chefe do tráfico Adauto do Nascimento Gonçalves, o Pitbull. Ainda segundo o secretário, os policiais foram checar denúncia sobre a presença do criminoso, quando foram recebidos a tiros.

O dançarino do programa 'Esquenta'%2C DG%2C está sendo velado no Cemitério São João Batista%2C em BotafogoAlessandro Costa / Agência O Dia

Foragido do sistema penitenciário desde junho, quando ganhou o direito de passar para o regime semiaberto (quando o preso pode sair durante o dia), o criminoso retornou para o Pavão-Pavãozinho depois de uma breve temporada em Duque de Caxias. E fez justamente da localidade onde ocorreu o confronto de segunda-feira seu reduto.

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Cria da comunidade, Pitbull também pode estar por trás do violento protesto ocorrido na noite de terça-feira. Policiais afirmam que moradores foram incitados pelo criminoso a atear fogo em veículos e barricadas, além de usar garrafas de vidro e pedras como armas.

Pitbull figura em inquérito da 13ª DP (Ipanema) sobre o tráfico local. Ele também é investigado por confrontos com PMs em outubro e no mês passado, quando policiais ficaram encurralados.

Antes de sair da prisão para não voltar mais, ele foi capturado pela polícia em 2008. Na época, tinha crachá de vigia em obra do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).

Após morte de dançarino do 'Esquenta' no Morro Pavão-Pavãozinho%2C policiamento segue reforçado com homens do Bope%2C Choque e batalhões da áreaFoto%3A Fernando Souza / Agência O Dia

Laudo mostra que dançarino do foi assassinado

Ao contrário do que afirmaram órgãos de Segurança do Rio na terça-feira, Douglas Rafael foi atingido por tiro antes de morrer. Quase 24 horas após o início das investigações e da perícia na escola onde ele morreu, que apontavam para morte provocada por uma queda, o laudo preliminar do Instituto Médico-Legal (IML) atestou que o jovem tinha marca compatível a ferimento de entrada de projétil de arma de fogo.

Segundo o laudo de necropsia, há perfuração de entrada na região lombar direita e outra, de saída, no braço direito, indicando que o disparo foi de baixo para cima. A morte provocou a revolta de moradores do Pavão-Pavãozinho e do Cantagalo, que incendiaram carros e fizeram barricadas. A sede da UPP foi atacada, e Edilson da Silva dos Santos, de 27, baleado na cabeça, também morreu.

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A mãe do dançarino, Maria de Fátima da Silva, disse que, na declaração de óbito de DG, entregue na 13ª DP (Ipanema), as informações atestavam o ferimento por perfuração. A informação do tiro foi confirmada pelo secretário Beltrame. Porém, ele ressaltou que não foram encontrados projéteis no corpo nem no local para confronto balístico. A mãe do dançarino, porém, falou que num saco que lhe foi entregue na delegacia havia duas cápsulas deflagradas, uma de .40 e outra não identificada, que foram repassadas aos investigadores.

Uma das entrada da comunidade Pavão-Pavãozinho%2C em Copacabana%2C amanheceu na quarta-feira cheia de entulho depois dos confrontos na noite de terça-feiraPaulo Campos/Agência O Dia

“Ele foi torturado. O corpo está com afundamento do crânio, um corte no supercílio direito, um ferimento no nariz e arranhões e pisões nas costas e braços. Vou processar o estado”, disse Maria de Fátima.

Ela ainda implorou para que testemunhas compareçam à delegacia. “Muita gente viu meu filho apanhando e ouviu gritos. Além disso, dentro da creche onde eles dizem tê-lo encontrado, havia uma pessoa.”

Pezão quer empenho total

Em nota, o governador Luiz Fernando Pezão determinou empenho total na investigação e disse que aguarda o resultado para ‘tomar as medidas cabíveis.’ Já o secretário Beltrame disse que pediu rigor e pressa nas investigações. Ele não descarta a hipótese de o tiro ter partido dos PMs da UPP, mas disse que não pode fazer julgamento precipitado.

“Preciso de um indício mínimo que seja para afastar os policiais. Várias hipóteses têm que ser analisadas, mas precisamos de respostas técnicas”, disse ele, ressaltando que traficantes querem banalizar as UPPs e que é preciso reforma judicial para evitar a saída de criminosos da prisão, como Pitbull.

Vândalos destruíram carros de vizinhos pensando que veículos eram de PMs

A revolta que tomou conta das ruas do Pavão-Pavãozinho e Cantagalo era direcionada aos policiais da UPP. Mas, no percurso, a onda de destruição acabou atingindo quem não tinha nada a ver com a confusão. Estacionados em frente à sede da unidade, na Estrada do Cantagalo, pelo menos dois carros foram depredados e um completamente incendiado. No entanto, os veículos, que os vândalos acreditavam ser de militares, eram de moradores da própria comunidade carente.

“O pior é que ele (o dono de um dos carros) sempre estacionava numa rua mais para baixo da favela. Desta vez, parou aqui, em frente à UPP, e foi para Ilha Grande. Avisei a um amigo nosso que está junto na viagem. Ele deve ter ficado arrasado, pois era seu primeiro carro e pagou em dezenas de vezes”, contou um amigo do proprietário do Gol incendiado.

Ao lado da carcaça, um Palio branco também era o retrato da destruição no Pavão-Pavãozinho. Além de vidros quebrados e marcas de tiros no veículo, dois blocos de concreto haviam sido lançados contra o parabrisas, que ficou parcialmente destruído. Pouco mais abaixo, um outro carro apresentava marcas de pedradas.

Policiamento é reforçado, e turistas saem às pressas

O policiamento seguiu reforçado nesta quarta-feira no Pavão-Pavãozinho, após protesto violento na noite da última terça-feira. À tarde, o comandante da Coordenadoria de Polícia Pacificadora (CPP), coronel Frederico Caldas, informou que 200 policiais — de batalhões, UPPs da região, Bope e Choque — faziam incursões e a segurança da comunidade.

“Esse efetivo permanecerá lá por tempo indeterminado”, garantiu Caldas, que disse estar acompanhando as investigações. As localidades Quinta Estação e Vietnã, no alto do morro, são as áreas mais policiadas. De lá, segundo Caldas, teriam partido tiros contra PMs na segunda-feira.

Com medo da violência, um grupo de pelo menos 20 turistas franceses deixaram, num micro-ônibus, um hostel na subida da Ladeira Saint Roman na tarde de quarta-feira. Assustados e apressados, evitaram dar entrevistas. “Estamos com medo. Vamos embora para outra hospedagem”, limitou-se a dizer um deles, que se identificou como Thomaz Purpan, de 23.

A morte repercutiu nos EUA, Europa e Oriente Médio. A rede de televisão ‘CNN’ afirmou que ‘a morte de DG põe em questão a política de controle da segurança na cidade faltando dois meses para a Copa’. O canal árabe ‘Al Jazeera’ destacou que ‘o fato ocorreu a apenas 100 metros do local das competições aquáticas dos Jogos Olímpicos de 2016’. O francês ‘Le Figaro’ disse que ‘moradores do Pavão expressaram raiva e tristeza’.

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