Rua do Lavradio vira uma avenida de idiomas e bandeiras na Lapa

Com cores de todas as seleções, rua é ponto de encontro de turistas de todo o mundo

Por O Dia

Rio - Em época de Copa do Mundo, ver as ruas do Rio tomadas pelo verde e amarelo não é novidade. Com o Mundial disputado no Brasil, outras cores invadiram a cidade, como o vermelho do Chile e o branco e azul da Argentina. Porém, há um lugar no coração da Lapa em que o colorido das 32 seleções que estão em busca da maior glória do futebol se mistura numa imensa aquarela. Na Rua do Lavradio, bandeiras de todos os participantes da competição são a representação da babel de idiomas que se tornou a cidade.

A ideia da decoração partiu do Rio Scenarium, tradicional casa noturna localizada no começo da Rua do Lavradio, e reduto histórico de turistas que vêm ao Rio de Janeiro. Para os estrangeiros, uma placa com “bem-vindo” em sete idiomas foi colocada. “Pusemos as bandeiras uma semana antes da Copa, e todos param, tiram fotos, perguntam onde compramos. A ação deu certo”, conta Célia Menezes, gerente de marketing da casa, que tem ficado lotada todos os dias. “Para as Olimpíadas de 2016, vamos criar uma outra coisa”, indicou, sem revelar mais detalhes.

Belga vestido com a camisa da Inglaterra encontra grupo de uruguaios antes da vitória da CelestePaulo Araújo / Agência O Dia

Mesmo com chuva, algumas horas antes do início de Uruguai e Inglaterra, torcedores dos dois países brincavam uns com os outros na Rua do Lavradio. “Hoje não dá para vocês não. Cavani vai fazer dois gols”, provocou Nicolas Maldonado quando viu Julian Felly e Lionel Cusse. “Ei, calma aí, nós somos belgas, só estamos com a camisa da Inglaterra”, defendeu-se Julian.

Os uruguaios mostraram que já sabem tudo de Lapa. “Fomos à Gafieira Estudantina e hoje planejamos ir ao Rio Scenarium. Espero que a cerveja não faça muito efeito até lá”, brincou Bruno Lopes. Já os “ingleses da Bélgica” ainda estavam tentando entrar no ritmo da cidade. “Estamos aqui há uma semana, mas não conseguimos ir em festas legais. Isso vai mudar hoje”, afirmou Julian, que ficará no Rio até domingo, quando a Bélgica encara a Rússia no Maracanã. “É a melhor geração de todos os tempos de nosso país. Venceremos com tranquilidade.”

Os noruegueses Oscar Stoltenberg e Vebjorn Urdal andavam à procura de um bar para assistir a partida entre Costa do Marfim e Colômbia. Olhando para cima, se decepcionaram ao não encontrar a bandeira de seu país. “Não estamos na Copa, ninguém liga para Noruega, não é?”, indagou Oscar, que veio para o Brasil para viver “a atmosfera do Mundial”. Já Vebjorn lembrou que eles foram orientados a tomar cuidado na Lapa. “Mas chegando aqui, não vivi nada diferente das outras cidades.”

Torcida despreocupada nos bares

Em um restaurante na Lavradio, ontem à noite, três amigos escoceses bebiam cerveja e uma garrafa de vinho, despreocupados com o jogo entre Japão e Grécia, que passava na TV. Eles só não usavam as tradicionais saias usadas no país por causa do frio. E se divertiam ao lembrar da estadia no país. Era a última noite deles no Brasil, depois de passarem duas semanas viajando entre Argentina, Porto Alegre e Rio.

Mesmo com o país de origem fora da Copa, cada um deles torcia por uma seleção. Usando uma camisa com a bandeira do Brasil estampada, o analista de marketing Douglas Law, de 40 anos, escolheu a Argentina. Segundo ele, por causa do talento dos craques Messi e Di Maria.

O analista de recursos humanos Paul Mc Erdy, de 41, está torcendo pela França. “Sempre gostei da França. E os europeus são azarões na Copa. Quero ver um europeu erguendo a taça”, explica.

Fã do futebol canarinho por causa da seleção que conquistou o tricampeonato mundial em 1970, o empresário Gary Harkness, de 40 anos, é o único dos escoceses que está torcendo pelo Brasil.

Últimas de Rio De Janeiro