Delegado entrega ao MP pedido de prisão contra 11 cambistas

O advogado Jose Massih, apontado como braço-direito do franco-argelino Lamine Fofana, não teve a prisão pedida por colaborar com as investigações

Por felipe.martins , felipe.martins

Rio - Na tarde desta quarta-feira, o delegado titular da 18ª DP (Praça da Bandeira), Fabio Barucke, entregou ao Ministério Público (MP) o pedido de prisão preventiva contra 11 acusados de integrar uma quadrilha internacional de cambistas envolvidos na venda de ingressos para a Copa do Mundo. 

O advogado Jose Massih, apontado como braço-direito do franco-argelino Mohamadou Lamine Fofana, que seria o chefe do grupo, não teve a prisão pedida por colaborar com as investigações.  

Na terça-feira, o Plantão Judiciário do Rio de Janeiro negou habeas corpus ao franco-argelino. Segundo o Tribunal de Justiça, a desembargadora Cristina Tereza Gaulia, argumentou que o pedido tinha os mesmos fundamentos de solicitações de habeas corpus já negadas pela Justiça.

Na terça-feira, o Plantão Judiciário do Rio de Janeiro negou habeas corpus ao franco-argelino Lamine FofanaSeverino Silva / Agência O Dia

Na terça, também foi negado um pedido de habeas corpus para Júlio Soares da Costa Filho, um dos 12 suspeitos do esquema. Os dois estão presos junto com os nove suspeitos devido a mandados de prisão temporária emitidos pelo Juizado do Torcedor.

Segundo o delegado responsável pela investigação, dentre os acusados estão Raymond Whelan, executivo da Match Services, empresa autorizada pela Fifa a vender entradas de jogos do Mundial, que deixou a cadeia no início da madrugada de terça-feira, através de um habeas corpus, após ficar preso por 12 horas. O inglês foi preso na tarde de segunda-feira, acusado de ser um dos principais fornecedores da quadrilha internacional de cambistas chefiada por Fofana, preso na semana passada.

Ainda segundo o delegado, o executivo pagou fiança de R$ 5 mil e comprometeu-se a não deixar o país. Barucke deve agora solicitar a prisão preventiva de Whelan. "O procedimento agora será encaminhado para a Justiça. Os indícios são fortes [para a prisão dos suspeitos]. A soltura [de Whelan] faz parte do processo. A Justiça entendeu que ele tinha direito de responder em liberdade, que não iria fugir. Mas ela não analisou o inquérito. As provas não foram analisadas. Então, agora vou encaminhar para que a Justiça possa analisar", disse Barucke.

Cerca de 900 ligações telefônicas entre Lamine e Whelan

De acordo com as investigações da Polícia Civil, o contato entre Lamine Fofana e Whelan foi intenso durante a Copa do Mundo, como comprovaram as interceptações telefônicas autorizadas pela Justiça, que grampeou o celular do segundo. Num intervalo de apenas 20 dias, em meio à primeira fase da competição, eles se comunicaram através de 900 registros telefônicos, incluindo ligações e mensagens de texto. O principal teor das conversas eram pedidos de ingressos feitos pelo franco-argelino ao chamado ‘tubarão’ da Fifa. O telefone do inglês constava na agenda do celular de Lamine Fofana como “Ray Brazil”.

Em maio de 2013, Whelan assinou contrato de fornecimento de ingressos com a Atlanta Sportif International, empresa de consultoria a jogadores e clubes do franco-argelino. “Ele era o facilitador para a distribuição ilegal de ingressos da Copa”, garantiu Fábio Barucke.

A Match, em nota oficial, afirmou que tem "total confiança de que os fatos que irá estabelecer Ray Whelan não cometeu qualquer violação da legislação brasileira".

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