Derrota alavanca vendas e cria promoções na Saara

Itens com motivos da Copa voltam para estoque de olho nas Olimpíadas de 2016

Por felipe.martins , felipe.martins

Rio - Nem todos os brasileiros choramingaram a derrota histórica contra a Alemanha. No centro de comércio popular Saara, na quarta-feira, tinha vendedor aproveitando a goleada para alavancar as vendas. A criatividade no Centro do Rio rolou solta: de promoção maluca de artigos do Brasil até slogan sobre o time europeu.

Um vendedor de goiabas, que bate ponto diariamente na Rua da Alfândega, soube tirar vantagem do massacre alemão. Com a frase: “Quer coisa estranha? Tem goiaba da Alemanha”, Cláudio Antônio de Moura, de 24 anos, vendeu quase todo o estoque da fruta só na parte da manhã. “Era só eu falar da Alemanha, que juntava um monte de gente para comprar goiaba”, explicou Moura, que fez questão de vestir a camisa do Brasil um dia após a derrota. “Gosto de rir da minha própria desgraça. Brasileiro precisa ser bem-humorado”, completou.

Sirlene Alves%2C vendedora de loja da Rua da Alfândega%2C retira produtos verde-amarelos das vitrines%3A ordem agora é investir nos itens juninosFabio Gonçalves / Agência O Dia

O lojista Maiko Riche, 37, resolveu queimar os preços de acessórios e camisas da Seleção. Um chapéu verde e amarelo que custava R$ 9,99 agora é vendido por R$ 4. “Já tinha um pressentimento ruim e, por isso, não lotei a loja de produtos. Dos 40% de itens que comprei, ainda restam 25%”, lamentou.

A comerciante Flávia Helena Soares, 36, lançou o kit ‘sou brasileiro e não desisto nunca’ com bandeira, corneta e camisa do Brasil. “Os gringos adoraram a ideia. Muitos compraram para guardar de recordação”, justificou.

Lojista foca em festas juninas

Mesmo com comerciantes dando show de criatividade, alguns lojistas preferiram radicalizar. Na loja Brink Mania, a ornamentação interna e os produtos do Brasil foram retirados. “Nenhum artigo da Seleção ficará exposto na loja. Voltaremos com tudo para o estoque e só vamos vender de novo para as Olimpíadas”, explicou a vendedora Silverlene Alves, 19. “A preferência agora é por produtos de festa junina”, completou a funcionária.

Na Rua Senhor dos Passos, também havia comerciante revoltado. “Não tem mais clima para deixar itens do Brasil na gôndola”, desabafou o lojista Marco Antônio Trindade, 45. Na Uruguaiana, também havia pouco verde e amarelo. “Vamos voltar a vender camisa de times do Rio. O lucro é mais garantido”, apontou Jorge Luiz Fernandes, 41.

Uma assinatura que vale muito

Contribua para mantermos um jornalismo profissional, combatendo às fake news e trazendo informações importantes para você formar a sua opinião. Somente com a sua ajuda poderemos continuar produzindo a maior e melhor cobertura sobre tudo o que acontece no nosso Rio de Janeiro.

Assine O Dia