Polícia apura se estudante se fez passar por médico para atender aposentado

Família de morto relata atendimento por aluno de Medicina

Por O Dia

Rio - A Polícia Civil instaurou inquérito para investigar a morte do aposentado da Aeronáutica Iclair Marcos de Oliveira, de 62 anos, no Hospital de Clínicas São Matheus, em Bangu, e a denúncia de que o paciente teria sido atendido pelo estudante de Medicina Ademir Pereira Ribeiro Junior, de 29 anos.

A família de Iclair afirmou que Ademir se apresentou como médico do hospital e atendeu o idoso na noite de sábado, quando ele deu entrada no hospital, por volta das 22h30, com fortes dores no abdômen e falta de ar. Uma hora depois, Iclair faleceu. De acordo com os filhos do idoso, Iclair Marcos de Oliveira Junior e Rosiclair Faria de Oliveira, o estudante fez o atendimento médico usando o nome de Thiago Mansur Mageski. Iclair Junior relatou que, no decorrer do atendimento, estranhou o procedimento do suposto falso médico.

No enterro de Iclair%2C clima era de revolta com suposto atendimento feito pelo estudante de MedicinaSeverino Silva / Agência O Dia

“Todas as vezes que perguntei sobre o estado de saúde do meu pai, que estava no CTI, ele não sabia o que responder e pedia auxílio para uma enfermeira e uma técnica de enfermagem”. Iclair Junior disse que, depois da confirmação da morte do pai, pediu a Ademir o registro profissional no Conselho Regional de Medicina (CRM). 

“Pedi o CRM dele duas vezes, e ele disse que estava no carro. Na terceira vez, disse que o acompanharia ao estacionamento, então ele disse que havia deixado o documento em casa. Por isso, resolvi chamar a polícia”, contou. O caso foi registrado na 34ª DP. De acordo com a Polícia Civil, Ademir afirmou em depoimento que não era médico e negou ter prestado atendimento.

Ele teria dito que estava cursando o 12º período de Medicina em faculdade particular e acompanhava Thiago Mansur, que seria o novo médico de emergência do hospital. Se as denúncias forem comprovadas, Ademir pode ser indiciado por homicídio culposo, quando não há intenção de matar, e exercício ilegal da Medicina. No enterro de Iclair, nesta segunda, o clima era de revolta. “O estudante saiu de casa sabendo que não era médico para atender em uma emergência, sem condições para isso”, desabafou Rosiclair.

Hospital nega acusações

A diretoria do Hospital de Clínicas São Matheus informou que a contratação de Ademir foi feita na última sexta-feira, depois de negociações por telefone e mensagens. Segundo o hospital, a diretoria acreditava ter contratado o médico formado, com a certificação do CRM (Conselho Regional de Medicina), Thiago Mansur Mageski, já que a documentação apresentada para admissão era deste profissional.

A cúpula do São Matheus informou que, antes de morrer, Iclair foi atendido, primeiramente, pela equipe de enfermagem para os procedimentos iniciais, depois por um médico que já trabalha há 4 meses no hospital. Segundo a clínica, o suposto médico nem chegou a tocar no paciente.

A diretoria afirmou ainda que não contrata estagiários de Medicina e que foi lesada pelo estudante. O Conselho Regional de Medicina do Estado do Rio afirmou que abrirá uma sindicância para apurar o caso. De acordo com o conselho, um aluno de Medicina não pode atender um paciente sem que haja um médico preceptor ao lado.

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