Burocracia para liberar óbito de grávida morta após tentar aborto atrasa enterro

Agonia de família de Jandira Magdalena está perto do fim. Polícia identifica membros de quadrilha

Por O Dia

Rio - Passada a angústia de 29 dias de familiares na procura pelo corpo de Jandira dos Santos Cruz, de 27 anos, morta após uma tentativa de aborto, no último dia 26, em uma clínica clandestina na Zona Oeste, a agonia ainda não terminou. A espera deles, agora, é por uma determinação judicial que concederá o direito à inserção do nome da vítima na Certidão de Óbito e liberará o corpo para o sepultamento.

O corpo foi encontrado carbonizado e mutilado dentro de um carro, em Guaratiba. O laudo que atestava que era mesmo de Jandira foi divulgado na terça-feira, após confrontados os materiais genéticos dela e da mãe, Maria Magdalena dos Santos, 51.

Família passa por agonia para liberar corpo de JandiraReprodução

“É uma espera agonizante. Quando minha irmã será tratada com dignidade?”, questionava a irmã da vítima, Joyce Liane, que ainda na noite desta quarta foi ao Fórum do Rio para tentar o direito à inserção do nome da vítima no documento. Ela acredita que consiga enterrar Jandira apenas no domingo, no Cemitério de Ricardo de Albuquerque.

De acordo com o delegado da 35ª DP (Campo Grande), Hilton Alonso, as investigações se concentram em descobrir se os criminosos atearam fogo nela, ainda com vida, e se o veículo incinerado foi o mesmo Gol branco em que ela deixou a rodoviária de Campo Grande em direção à clínica. “Já identificamos todos os integrantes da quadrilha. Estamos investigando suas condutas e pretendemos prendê-los em breve”, garantiu.

Quatro acusados já foram presos. São eles: Rosemere Aparecida, apontada como chefe da quadrilha; Vanusa Baldacine, suspeita de ter levado Jandira para a clínica onde teria morrido; Marcelo Eduardo Medeiros, proprietário do imóvel que era alugado, e Mônica Gomes Teixeira, que recepcionava os clientes. Todos responderão pelos crimes de aborto, formação de quadrilha, ocultação de cadáver e fraude processual. O falso médico Carlos Augusto Graça de Oliveira, que teria realizado o procedimento, teve a prisão temporária decretada, mas continua foragido.

Caso do Sapê: suspeitos identificados

A Polícia Civil já identificou os envolvidos na morte de Elizângela Barbosa, que morreu depois de se submeter a um aborto numa clínica clandestina, no Sapê, sub-bairro de Pendotiba, em Niterói. Os agentes também recolheram colchão e almofadas com mancha avermelhada que seria sangue de Elizângela. O material colhido vai ser ser enviado para análise. Caso realmente seja sangue, o material será comparado ao DNA da grávida. Roupas íntimas também foram apreendidas para serem periciadas.

A operação foi realizada com a supervisão do delegado da Divisão de Homicídios de Niterói, São Gonçalo e Itaboraí, Adilson Palácio. Na terça-feira, policiais recolheram medicamentos — alguns de uso veterinário —, material para desinfecção e um computador. Elizângela foi enterrada na terça-feira, no Cemitério de Maruí. Ela morreu no sábado, após complicações de um aborto.

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