Devotos de São Cosme e Damião vão ao Mercadão de Madureira em busca de ofertas

Lojas esperam aumento de 15%

Por O Dia

Rio - Seja para pagar promessas, cumprir obrigações ou apenas por satisfação pessoal, os fiéis de São Cosme e São Damião, fazem questão de distribuir doces, mas fogem de preços salgados e recorrem a vendas no atacado. A administração do Mercadão de Madureira estima que de sábado passado até o próximo, quando se comemora o dia dos santos, o movimento fique 15% superior ao comum. Cerca de 92 mil pessoas devem passar pelo mercado diariamente.

A subsíndica do Mercadão, Sheila Reis, responsável pelo marketing, explicou que itens para montar um saquinho de prendas, como maria-mole, pirulito e bala, são os que mais saem. “Outras pessoas já querem caprichar na lembrança e vêm aqui para comprar brinquedos, como bolas e bambolês”, previu Sheila.

Monique e Michelle Santana%3A “Muitas mães são de igrejas evangélicas e não deixam os filhos pegar doce”José Pedro Monteiro / Agência O Dia

A saúde do sobrinho motivou a dona de casa Rosileia dos Santos, de 48 anos, a prometer aos milagreiros, há dois anos, a distribuição de guloseimas. “Para que meu sobrinho melhorasse dos desmaios, que nenhum médico diagnosticava, fiz a promessa. E deu certo! Hoje ele está um garotão de 4 anos, cheio de vida”, explicou ela, acompanhada da filha Júlia dos Santos, 12, moradora de Realengo, Zona Oeste.

A professora Fernanda Júlio Soares, 34, mostra que a fé aos santos católicos ultrapassa credos. “Sou candomblecista e, na verdade, nós oferecemos os doces aos erês (orixás meninos). Ver o sorriso e a satisfação das crianças ao receber o saquinho é comovente”, contou a professora. Ela faz o percurso Marechal Hermes-Piedade com o carro cheio de doces. “O preço está um pouco pesado este ano, mas vale a pena”, completou.

Na loja Big 2000, desde o dia 10, a lotação é diária. “Em setembro, o movimento aumenta até 90%. Até agora, está mais fraco que no ano passado”, comentou o gerente Valdeci Martins, 35. Para ele, a inflação não é obstáculo para quem quer homenagear os santos. “Alguns itens aumentaram de valor, sim, mas a maria-mole e o sorvetão, por exemplo, estão mais baratos”, argumenta.

As irmãs Monique, 19, e Michelle Santana, 20, estavam à vontade, usando o cartão de crédito da mãe. As duas não acharam os preços altos. “Minha mãe é católica e tem essa tradição. Como ela está viajando, nos deu a missão de comprar e viemos felizes”, explicou Michelle, técnica de enfermagem, assim como a irmã. “São de 500 a mil doces por ano. Nem sempre tem criança suficiente, porque muitas mães são da igreja evangélica e não deixam os filhos pegarem doce. Mas quando sobra a gente sai de carro e distribui”, explicou Monique, que mora em Nova Campina, Duque de Caxias.

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