Quadrilha que fraudava cartões de crédito no Galeão é denunciada pelo MP

Bando usava dispositivos Bluetooth para roubar informações das vítimas e movimentou mais de R$ 3,5 milhões

Por O Dia

Rio - O Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro denunciou, nesta quarta-feira, os 19 integrantes de quadrilha que fraudava cartões de crédito. O bando começou a atuar em caixas eletrônicos do Aeroporto Internacional Tom Jobim e expandiu sua atuação a diversos estabelecimentos comerciais da cidade. Eles usavam tecnologia Bluetooth para roubar informações e fraudaram centenas de cartões em nove meses.

Na denúncia, o promotor Sauvei Lai explica que a quadrilha atuava no aeroporto por meio de dispositivo conhecido como “chupa-cabra”. Uma vez instalados nos caixas eletrônicos, os aparelhos copiavam as informações sigilosas para transferi-las para cartões regraváveis. Os crimes ocorriam com a conivência do pessoal do CMES (que opera as câmeras de monitoramento do AIRJ), da empresa de vigilância SEGIL (que controla qualquer movimentação suspeita no local) e da empresa de segurança TRANSVIP (que possui as senhas para a abertura dos caixas eletrônicos).

Polícia acredita que quadrilha carioca é pioneira no mundo na clonagem a partir da transmissão de dadosFernando Souza / Agência O Dia

Após o golpe inicial os criminosos passaram a cooptar funcionários de estabelecimentos, como o restaurante Antiquarius Grill, na Barra, entre outros, para substituir as máquinas originais de cartão por outras semelhantes, mas com dispositivo que copia dados. Em seguida as informações, como senhas e números de cartões eram transmitidas para um computador ou telefone. Com os dados roubados de diversos consumidores, a quadrilha confeccionava novos cartões e os usava em compras e saques fraudulentos.

Também foi requerida à Justiça a prisão preventiva de oito dos 19 denunciados, incluindo o líder da quadrilha, André Alves da Silva, que está foragido e seu irmão Bruno Alves da Silva. No documento foi relatado todo o funcionamento do grupo, sua forma específica de atuação e distribuição de tarefas.

Dez integrantes da organização criminosa já foram presos na semana passada em operação da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core) e 127 cartões apreendidos. Os presos responderão por lavagem de dinheiro, formação de quadrilha, enquadrados na nova Lei de Crime Organizado, furto mediante fraude, falsificação de documentos e estelionato.

Quadrilha movimentou R%243%2C5 milhões em oito meses%3B criminosos clonavam cartões por meio de bluetoothFernando Souza / Agência O Dia

Delegado: 'Eles mudaram a rotina de falsificação'

O delegado titular da Delegacia do Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro (Dairj), Rodrigo Freitas, afirmou, na semana da operação, que a quadrilha responsável por clonar cartões através de um dispositivo bluetooth mudou a rotina de falsificação. "Eles mudaram a rotina de fraudes para além do Rio", afirmou Freitas.

Os agentes da Dairj destrincharam uma ação "sofisticada" e prenderam oito suspeitos de envolvimento no crime. Neste mesmo período, os criminosos movimentaram mais de R$ 3,5 milhões em compras de mercadorias e saques. Nesta terça-feira, oito pessoas foram presas e 25 mandados de busca e apreensão foram cumpridos. Foram apreendidos dezenas de máquinas de cartão de crédito e débito, relógios, cartões, além de impressoras.

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