Vinte e dois anos depois, mãe chora morte de segunda filha baleada em Acari

Familiares acusam Polícia Militar. Divisão de Homicídios está investigando o caso. Armas de PMs foram apreendidas

Por felipe.martins , felipe.martins

Rio - Uma tragédia que se repete e atinge uma mesma família e reabre uma ferida em uma mãe que já havia perdido uma filha vítima de violência. A dona de casa Célia Regina da Conceição, 59 anos, perdeu a segunda filha, Ana Cláudia Germano Coutinho, 30 anos, vinte e dois anos depois em circunstâncias parecidas, um tiroteio na comunidade de Acari, na Zona Norte do Rio. De acordo com a PM, uma operação foi realizada na manhã desta quarta-feira e os policiais trocaram tiros com criminosos. Durante o confronto, um suspeito e Ana Cláudia foram baleados. Ela, que tinha saído de casa para ir a casa da sogra porque um dos filhos estava com febre, chegou a ser socorrida ao Hospital de Acari, mas não resistiu aos ferimentos.

Irmã da vítima, Regina Célia Germano Coutinho, de 24 anos, calandrista, contou que a mãe precisou ser medicada ao saber de mais uma morte em razão da violência. “Minha mãe está revoltada e sob calmantes, pois já é a segunda filha que ela perde. Há 22 anos passou por este mesmo sofrimento. Infelizmente mais uma vez chora a morte de uma filha”, disse Regina, acrescentando que outros três irmãos já morreram de morte natural. “Éramos 15, agora só restaram 10. Nossa família está destruída”, lamentou.

Ana Carolina (à esquerda na foto) ia buscar o filho em escola quando foi atingida por tiro na cabeçaDiego Valdevino / Agência O Dia

Ainda segundo ela, Ana Cláudia foi vítima do despreparo da Polícia Militar, que teria entrado na comunidade às 5h e por volta das 8h30, após cessar um tiroteio, atirou novamente, atingindo sua irmã. “Vizinhos relataram que chegaram atirando com o Caveirão (blindado). Além de atingirem a Ana, ainda não prestaram socorro. Se comprovar que o tiro partiu da arma de um PM, vamos processar o Estado”, garantiu.

Segundo os familiares, Ana Cláudia, que trabalhava em uma lavanderia, era uma pessoa alegre e gostava de cuidar dos quatro filhos. A família de Ana Cláudia espera velar o corpo de Ana Cláudia na quadra da escola de samba Favo de Acari e sepultá-la nesta quinta-feira, no Cemitério de Irajá, na Zona Norte do Rio.

A Divisão de Homicídios da Polícia Civil assumiu o caso e apreendeu as armas dos policiais envolvidos na operação, encaminhadas para o confronto balístico. Os agentes prestaram depoimento nesta quarta-feira. 

Em nota, a PM informou que o comando do 41º BPM (Irajá) abriu procedimento apuratório. Ainda segundo a corporação, policiais do 41º BPM (Irajá) realizaram uma operação na comunidade de Acari nesta quarta-feira, para checar informações do Setor de Inteligência. Houve troca de tiros e, além de Ana Cláudia,  um suspeito foi baleado e encaminhado para o Hospital Carlos Chagas. Uma pistola .40 foi apreendida. 

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