Polícia confirma mais três tentativas de assassinato do Monstro de Corumbá

Com esses casos, já são 11 vítimas, sendo sete mortes

Por O Dia

Rio - Sailson José das Graças, o Monstro de Corumbá, não perdoou nem mesmo a família da mulher que cozinhava para ele e o deixava quitar os aluguéis com atraso. A neta da aposentada Maria Amanda Monteiro Araújo, proprietária da casa onde vivia Sailson, foi perseguida por ele em maio, em Nova Iguaçu. A jovem de 19 anos revelou o caso ao DIA, mas ainda não o comunicou à polícia.

Rosemere consola a filha%3A serial killer perseguiu a jovem em maioPaulo Capelli / Agência O Dia

Ontem, a Divisão de Homicídios da Baixada Fluminense (DHBF) confirmou mais três tentativas de assassinato praticadas por Sailson: duas mulheres e um bebê. Com isso, subiu para 11 o número de vítimas, sendo sete mortes. Em depoimento à polícia, uma das sobreviventes, de 22 anos, disse que ele invadiu sua casa e tentou esfaqueá-la juntamente com seu filho, então recém-nascido. Os assassinatos só não teriam sido consumados por conta da chegada de um vizinho, que ouviu os gritos.

Desistência

Outra mulher a prestar depoimento foi uma jovem de 17 anos. Sailson tentou estrangulá-la por três vezes, mas, por conta da resistência da vítima, desistiu de matá-la e disse que, se ela ainda não havia morrido, “é porque Deus não queria que isso acontecesse”.

Antes de deixar a casa da jovem, no bairro Santa Rita, Sailson conversou com a garota e disse que costumava escolher “mulheres bonitas” para assassinar. Ele chegou a limpar os dedos e as unhas da vítima para que não fosse possível, em exame de corpo de delito, que a polícia o identificasse.

Mãe relutou em denunciar

“Eu estava passando pela casa da minha avó quando vi Sailson tentando pular o muro que dá acesso à casa ao lado. Quando me viu, correu em minha direção. Me bate um terror quando vejo agora o que ele fez com outras pessoas”, conta a estudante de Enfermagem, neta da proprietária da casa alugada, que pediu para não ter o nome publicado. A perseguição, por cerca de 150 metros, entre as ruas Tomas Schwedimer e Agostinho, ocorreu há sete meses.

Segundo a empregada doméstica Rosemere de Souza, filha de Maria Araújo, a jovem chegou em casa sem ar e chorando. “Disse para a minha mãe despejar o Sailson, mas ela acreditava que ele era um cara tranquilo, e que isso era coisa da cabeça da minha filha”, lembra Rosemere, que não denunciou o caso. “Tive medo de ir à polícia e só piorar as coisas”, lamenta.

Em depoimento, uma das vítimas disse que Sailson tentou esfaqueá-la juntamente com seu filhoFabio Gonçalves / Agência O Dia

Maria Araújo, de 83 anos, alega não ter recebido as queixas da filha e da neta. “Só me falaram da perseguição depois que o Sailson apareceu na TV. Não me lembro de terem me avisado nada antes”, disse.

Móveis foram retirados por proprietária

Enquanto colocava a mobília de Sailson na calçada, Maria Araújo lamentava o momento em que alugou o local para ele. “Meus vizinhos e até meus três filhos dizem que tenho culpa por ter alugado a casa, que fica ao lado da minha, para o Sailson. Mas não tinha como eu saber de nada. Olha que ele até me ajudou a consertar a antena parabólica!”, conta ela, que cozinhava de graça para Sailson e até suportava os atrasos do aluguel.

Maria Araújo colocou na calçada todos as lembranças de Sailson Paulo Capelli / Agência O Dia

“Uma vizinha me chamou de sem-vergonha e disse que não presto. Disse a ela: ‘Se suspeitava de algo, por que não foi você até a polícia?’. Aí ela ficou quieta”. Maria pretende pagar um caminhoneiro para retirar o entulho da calçada e, com ele, parte das lembranças de Sailson.

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