José Mariano Beltrame exonera comandante do Batalhão de Choque

Coronel Fábio Almeida deixa o batalhão após denúncia de revista onde ele incitava os PMs contra manifestantes

Por O Dia

Rio - O coronel da Polícia Militar Fábio Almeida de Souza foi exonerado nesta segunda-feira do comando do Batalhão de Choque. A decisão do secretário de Segurança do Estado, José Mariano Beltrame, aconteceu após divulgação de uma reportagem da revista 'Veja' onde o então tenente-coronel incitava os policiais militares contra os manifestantes que participavam dos protestos no segundo semestre de 2013.

A decisão foi tomada após o secretário de Segurança ter acesso a documentação e reportagens que mostram o conteúdo das trocas de mensagens. Além da exoneração, foi aberto contra o coronel um procedimento disciplinar.

Coronel Fábio Almeida de Souza foi exonerado do comando do Batalhão de Choque nesta segunda pelo secretário de Segurança José Mariano BeltrameBanco de imagens

Além disso, vai ser feito um levantamento do inquérito e dos números de telefones que trocaram mensagens de cunho nazistas. Outras pessoas, segundo o secretário, também podem ser punidas.

Segundo decisão do novo comandante-geral da Polícia Militar, coronel Alberto Pinheiro Neto, o coronel Wilman Rene Gonçalves Alonso vai assumir o Choque, acumulando a função temporariamente com o Comando de Operações Especiais (COE).

Em mensagens polêmicas em grupo do WhatsApp, o coronel Fábio Almeida de Souza teria sugerido matar manifestantes, até com tiro de fuzil; confessado que usou lançador de bomba a menos de 30 metros de integrante do grupo Black Bloc (os mais radicais durante os protestos) e defendido a filosofia da Alemanha nazista.

Em algumas das mensagens, PMs fazem críticas e ameaças ao novo comandante da unidade: “Toque de presença do comandante”, avisa um policial, no que o outro retruca: “Poderia ter um toque para óbito do comandante...”. Em outro, um PM pergunta: “Quer fazer algo pela gente, comando??? De verdade???”. O coronel Fábio teria indagado: “Mata o obtuso (apelido dado a Rocha)?”. Os policiais ainda falam sobre ‘botar um despacho na encruzilhada com o nome dele’, ensinado o procedimento. Uma mensagem que seria de Fábio ironiza: “Viva o despacho”.

O teor dos textos, que consta em relatório de 232 páginas da Corregedoria da Polícia Militar, foi revelado no último sábado pela ‘Veja’. Em nota oficial, a PM informou que o Inquérito Policial Militar (IPM) está em andamento, na fase de cumprimento de exigências feitas pelo Ministério Público. O responsável pelas investigações é o coronel Gilson Chagas, comandante do 12º BPM (Niterói). “Todos os oficiais citados nos fatos já depuseram na qualidade de testemunhas”, complementou o texto.

Afastado do Choque em agosto de 2013, o oficial foi para o Batalhão de Operações Especiais (Bope) e depois integrou a escolta de Beltrame. Em novembro, havia retornado ao comando do Choque, desta vez, promovido a coronel. O secretário afirmou nesta segunda que na época não havia nenhum procedimento contra Fábio Almeida.

"Quando o retirei do Bope para colocá-lo na minha segurança particular, não havia qualquer procedimento contra o coronel, por isso fiz essa movimentação. Esse procedimento está sendo aberto após um pedido meu", afirma.

No período em que as mensagens teriam sido trocadas pelo oficial e subordinados, a ação dos Black Bloc estava no auge de ataque a prédios. Durante uma discussão do grupo sobre técnicas de combate aos manifestantes, o major Adriano teria sugerido a introdução da técnica com o uso do bastão, chamado de tonfa. Para o coronel Fábio, no entanto, o método de resolver a questão seria atirar com munição de fuzil:

“Mata! Assim imobiliza para sempre...7.62 mata eles tudo (sic)...Porrada, paulada, fuzilzada, mãozada”. Nas mensagens, o oficial teria deixado claro projeto de poder para este ano. “Padrão Alemanha 1930”, numa referência ao nazismo. Há investigação ainda se, depois que o oficial deixou o Choque em agosto de 2013, houve boicote a ações policiais.

Ar-refrigerado desligado

Os problemas de combustível na PM não foram solucionados. A corporação reconheceu ontem que pedirá explicações à Petrobras, fornecedora da gasolina das viaturas, por atrasos em pelo menos duas unidades. Em áudio enviado ao WhatsApp do DIA (98762-8248), gravado domingo, policiais do 22º BPM (Maré) teriam recebido a ordem de não ligar o ar-condicionado dos carros. A PM nega essa orientação. 

“Não utilizem o ar-condicionado... está afetando o combustível’, ouve-se na gravação, feita por um PM que pediu anonimato. “Com o calor que tem feito, eles mandam que não liguemos os aparelhos”, lamentou.

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