Rio de Paz faz ato em Copacabana contra morte de menina em Bangu

De acordo com o movimento, Larissa de Carvalho, de quatro anos, é a 13ª menor vítima de bala perdida desde 2007

Por O Dia

Rio - O Movimento Rio de Paz promove desde as primeiras horas da manhã desta segunda-feira, um ato público nas areias da Praia de Copacabana, na Zona Sul, contra a morte da menina Larissa de Carvalho, de quatro anos, mais uma vítima de bala perdida no Rio. Ela foi ferida na tarde de terça-feira em Bangu, na Zona Oeste, e teve morte morte cerebral confirmada na manhã de domingo. A família vai doar os órgãos e o enterro pode ocorrer ainda hoje.

Movimento Rio de Paz fincou no início da manhã desta segunda uma cruz preta de três metros%2C em Copacabana%2C para lembrar a morte de Larissa de Carvalho%2C de quatro anosOsvaldo Praddo / Agência O Dia

De acordo com levantamento do Rio de Paz, Larissa seria a 13ª menor de idade vítima de bala perdida no Rio, desde 2007. Uma cruz preta de três metros de altura foi fincada na areia da praia, na altura da Avenida Princesa Isabel. Os integrantes do movimento depositaram flores e brinquedos junto ao símbolo cristão e uma foto da menina com a inscrição "morreu por bala perdida", além de uma declaração atribuída a Mileni de Carvalho, mãe da vítima: "Nada vai trazer a minha filha de volta pra mim. Mas alguém faça alguma coisa para acabar com a guerra, para acabar com a violência".

Larissa foi vítima de bala perdida em BanguDivulgação

"Queremos aqui chamar a atenção mais uma vez da sociedade para mais um caso de violência na cidade envolvendo uma criança morta por bala perdida. É um ato simbólico de alerta para a sociedade", disse o coordenador do Rio de Paz, Gregório Dotorovici.

De Israel, no Oriente Médio, o presidente do movimento, Antonio Carlos Costa, informou que a intenção também é pedir ao Governo do Estado do Rio de Janeiro que preste auxílio à família da Larissa, cobrar das autoridades públicas redução das mortes por bala perdida e expressar solidariedade aos familiares da vítima.

"Ficar calado, neste momento, nos desautoriza a falar contra o que quer que seja. Se a morte de uma menina não nos faz sentir indignação, não nos comove e não nos move ao protesto, estamos mortos, perdemos o ser, viramos estátua de mármore", disse Antonio. A cruz preta na Praia de Copacabana ficará exposta até às 19h30 de quarta-feira para que moradores e turistas depositem flores, brinquedos e mensagens aos familiares das vítimas.

Larissa foi baleada na esquina das ruas Boiobi e Rio da Prata. Segundo a família, a menina tinha acabado de sair do restaurante com a mãe e o padastro quando foi atingida. Encaminhada ao Hospital Estadual Pedro II,em Santa Cruz, ela não resistiu ao ferimento, morrendo no domingo.

A Polícia Civil informou que o caso foi registrado no sábado como lesão corporal provocada por projétil de arma de fogo, na 34ªDP (Bangu), onde a mãe da criança foi ouvida. Com a morte de Larissa, o registro foi modificado para homicídio e encaminhado para a Divisão de Homicídios (DH), que vai investigar as circunstâncias do disparo e o autor do crime.

Menores mortos por bala perdida no Rio entre 2007 e 2015

Alana: 12 anos. Morta no dia 5 de março de 2007 num tiroteio entre policiais e traficantes no morro dos Macacos, em Vila Isabel.

Fabiana: 11 anos. Morta dentro de casa, vítima de bala perdida, numa operação policial no Morro dos Telégrafos, no dia 15 de dezembro de 2007.

Ramon: 6 anos. Morto no dia 30 de junho de 2008, com um tiro na cabeça, enquanto aguardava o pai na porta de casa, num tiroteio entre policiais do 9º BPM e traficantes na favela do Muquiço, em Guadalupe.

João Roberto: 3 anos. Morto no dia 6 de julho de 2008, quando se encontrava no banco de trás do carro da mãe, que foi metralhado por policiais militares que perseguiam bandidos na Tijuca.

Wesley: 11 anos. Vítima de bala perdida, no dia 19 de julho de 2010, que o atingiu no peito dentro de sala de aula no CIEP Rubens Gomes, em Barros Filho. A operação foi comandada pelo 9º BPM.

Juan: 11 anos. Morto numa operação do 20º BPM (Mesquita) no dia 20 de junho de 2011 na Favela Danon, em Nova Iguaçu, Baixada Fluminense.

Juliana Rodrigues. 6 anos de idade. Morta em setembro de 2011, por uma bala perdida durante tiroteio entre policiais e criminosos no Caju, na zona portuária do Rio de Janeiro.

Bruna: 10 anos. Morta durante uma operação policial no Morro da Quitandinha, em Costa Barros, na Zona Norte do Rio.

Yasmin de Moura Camilo: 4 anos. No dia 19/08/12 brincava em um parquinho da comunidade Terra Nostra, em Costa Barros, quando foi atingida por uma bala perdida durante confronto entre policiais e supostos bandidos.

Adrielly dos Santos. 10 anos. Atingida na cabeça por uma bala perdida na noite de Natal (24/12/12), em Piedade, no Subúrbio do Rio, vindo a falecer na tarde do dia 4 de janeiro de 2013.

Lucas Farias Canuto. 13 anos. Estava na localidade conhecida como Reta dos Barracos, no Caratê, na Cidade de Deus, quando foi atingido no peito, por volta das 14h do dia 15/06/14. No momento, ocorria uma troca de tiros entre traficantes e policiais da UPP.

Luís Felipe Rangel Bento. 3 anos. Morto na manhã do dia 25/06/14, no Morro da Quitanda, em Costa Barros, na Zona Norte, vítima de uma bala perdida, enquanto dormia, numa troca de tiro entre traficantes e policias.

Larissa de Carvalho. 4 anos. Morta neste domingo, em Bangu.

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