'Não existe lugar seguro no Rio', diz amigo de empresário morto na Linha Amarela

Vítima de bala perdida foi enterrada na tarde desta quinta-feira em Sulacap. Ainda muito abalada, a mulher da vítima, principal testemunha, não quis falar com a imprensa

Por O Dia

Rio - Em meio ao pesadelo que vive desde a noite de terça-feira, Teresa Mascaro Catelan, viúva do empresário Olderige Eduardo Catelan, morto aos 54 anos por uma bala perdida durante arrastão de bandidos na Linha Amarela, buscou amparo na fé para suportar a dor. "Onde ele está, vai nos ajudar, vai nos amparar", disse a viúva a parentes que a consolavam durante o enterro do empresário, nesta quinta-feira. Havia uma mistura de tristeza e revolta entre os familiares. "Não existe mais um único lugar seguro no Rio de Janeiro. Estamos todos à mercê de criminosos e todo dia vemos casos como esse. Não sei onde vamos chegar", desabafou Jorge Duarte, cunhando de Olderige Eduardo.

A cerimônia, marcada para as 13h, foi antecipada em uma hora para evitar mais sofrimento da família. Cerca de 100 parentes e amigos acompanharam o enterro no Cemitério Jardim da Saudade, em Sulacap, e Teresa precisou ser colocada em uma cadeira no momento em que o caixão com o corpo do marido desceu à sepultura.

Família e amigos se despedem de empresário morto na Linha AmarelaFabio Gonçalves / Agência O Dia

Muito abalados com o caso, Teresa e o filho do casal não quiseram dar declarações durante o velório e o enterro. Agentes da Delegacia de Homicídios da Capital (DH) analisam imagens de câmeras de segurança para tentar identificar os atiradores que assaltavam o carro que estava à frente do empresário em um congestionamento na Linha Amarela, cujo motorista teria reagido ao assalto. Na troca de tiros, Olderige Eduardo foi baleado na cabeça.

Teresa estava com o marido no momento em que ele foi atingido. O trauma sofrido por presenciar a morte dele fez com que ela ainda não tenha condições psicológicas de prestar depoimento na DH, o que deve ocorrer nos próximos dias. Segundo parentes, entretanto, Teresa ficou em estado de choque e, possivelmente, não conseguirá ajudar muito nas investigações, pois pouco se lembra do momento do crime.

Olderige Eduardo era paulista e morava no Rio desde 1978. Ele era dono de uma franquia de marca de roupas e pretendia expandir o comércio para a cidade. Muitos parentes da vítima vieram de São Paulo para o sepultamento. "Era uma pessoa maravilhosa, feliz, expansiva, adorável. O que nos revolta é saber que vão continuar morrendo pais de família e que de nada adianta polícia e cadeia, se não há Justiça neste país. Quem fez isso, se preso, vai logo ser solto para fazer de novo", contestou a empresária Mara Araújo, 50, amiga da vítima.

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Policiamento reforçado

O patrulhamento na Linha Amarela estava com reforço na tarde desta quinta, dois dias depois do empresário Olderige Eduardo ser morto em um arrastão. O DIA percorreu um pequeno trecho da via, entre os bairros do Encantado e Bonsucesso, este último onde o empresário foi baleado, e encontrou 12 patrulhas da PM, em rondas ou baseadas.

Policiamento foi reforçado na Linha Amarela após morte de empresárioFabio Gonçalves / Agência O Dia

Uma delas fazia blitz na Rua Dois de Fevereiro, no Encantado, embaixo da Linha Amarela e apreendia motos irregulares. Testemunhas da morte do empresário afirmaram em depoimento que os bandidos que fizeram o arrastão e provocaram a morte de Olderige Eduardo usavam motocicletas para roubar motoristas que estavam engarrafados na via.

Na altura de Bonsucesso, entre as linhas Amarela e Vermelha, duas viaturas e oitos PMs munidos de fuzis vigiavam a região conhecida pela violência como Faixa de Gaza, altura do Complexo da Maré. Outras equipes circulavam pelas duas vias expressas, além de algumas baseadas próximas às torres de segurança que não vêm sendo usadas como base fixa.

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