Reunião no Tribunal Regional do Trabalho pode encerrar greve dos garis

Paralisação chega ao sexto dia e várias ruas das zonas Norte e Oeste estão cobertas por detritos

Por O Dia

Rio - A greve dos garis da Comlurb entra nesta quarta-feira no sexto dia tendo deixado montanhas de lixo em diversos locais do Rio, como na Rua Juiz Jorge Salomão, no Engenho Novo. “O mau-cheiro está insuportável. Pior: além de ratos e baratas, há muitas moscas varejeiras. Parece que estamos vivendo um filme de terror na realidade”, conta a recepcionista Alessandra dos Santos, 39 anos, que mora com três filhos pequenos no local.

A paralisação poderá ser encerrada no meio da tarde, caso haja um consenso na reunião marcada no Tribunal Regional do Trabalho (TRT) entre representantes dos grevistas e a prefeitura. Nesta terça-feira, houve mais manifestações pelo reajuste de 40% do salário e pela fixação do valor do vale-refeição em R$ 27. O vice-presidente do Sindicato dos Empregados de Empresas de Asseio e Conservação do Município do Rio, Antônio Carlos disse que está aberto a negociação. “Nós queremos o aumento e mais o índice de inflação, porém não é algo fixo, podemos conversar”.

Há ainda uma comissão dissidente, que também participa da negociação. Bruno Coelho de Lima, um dos integrantes desse grupo, acusa a Comlurb de não respeitar o direito de greve da categoria e até de contratar menores para a coleta. Questionada sobre a denúncia, a empresa não se manifestou.

Agentes de preparo de alimentos se juntam a garis em manifestaçãoFabio Gonçalves / Agência O Dia

A bancada de vereadores do Psol entrou com pedido de requerimento junto à Mesa Diretora para que o presidente da Comlurb, Vinícius Roriz, vá à Câmara prestar esclarecimentos sobre a greve. A assessoria jurídica do vereador e Babá diz ter protocolado denúncia no Ministério Público do Trabalho sobre contratação de pessoas despreparadas para fazer a coleta no lugar dos grevistas. O órgão nega, mas diz ter aberto procedimento para começar a apurar irregularidades nessas contratações.

Vídeo recebido pelos vereadores mostra uma mulher que diz ter recebido R$ 150 para varrer as ruas do Centro, sem nenhum treinamento. “Falaram para gente tomar cuidado para não nos machucarmos”, diz a moça. “Estão sem proteção nenhuma, têm risco de pegar uma doença grave”, disse Babá.

A Comlurb informou que foram feitos 15 registros em delegacias desde sábado até a manhã de terça. Alguns teriam sido por agressões a garis que não aderiram à greve, mas a maioria das ocorrências foi por danos ao patrimônio público, como ataques a caminhões.

A Comlurb acusa o sindicato de não respeitar a decisão judicial de ter 75% dos garis fazendo o serviço de limpeza urbana. De acordo com a companhia, há cerca de 50% de garis trabalhando na cidade. A categoria nega que não esteja cumprindo a exigência jurídica.

Grupo dissidente está à frente do movimento, como no ano passado

Assim como no ano passado, a atual greve dos garis está sendo conduzida por um grupo dissidente do Sindicato dos Empregados de Empresas de Asseio e Conservação do Município do Rio. O grupo é o mesmo que conseguiu reajuste de 33% em 2014, e neste ano ano pede 47,7% de correção. Agora, eles pretendem assumir o controle sindical.

Célio Vieira%2C do grupo dissidente%2C disputará presidência do sindicatoFabio Gonçalves / Agência O Dia

No ano passado, o grupo dissidente contrariou a posição do sindicato. Eles apresentaram uma uma proposta à entidade, que a rejeitou. A dissidência então reuniu os garis e decidiu pela greve, que o sindicato não encampou. Mas os garis conseguiram um reajuste expressivo. Agora em 2015, foram os dissidentes que elaboraram a proposta, que foi aceita pelo comando sindical.

Um dos líderes desse movimento é Célio Vieira, de 49 anos, 13 deles como gari da Comlurb. “Vimos que o sindicato não fazia nada por nós, então resolvemos agir fazendo nossa campanha salarial”, comentou. Célio disputará a presidência com Antônio Carlos da Silva, atual titular do cargo e há 37 anos na companhia.

“Estão tentando misturar campanha salarial com eleitoral. Nossa maior preocupação neste momento é com a segurança dos nossos colegas que estão nas ruas sendo vítimas de insegurança”, comenta o atual presidente.

A divergência entre o sindicato e os dissidentes ficou clara durante reunião no Ministério Público do Trabalho para tentar um acordo com a Comlurb. Os ânimos se exaltaram e a juíza presenciou dedos em riste. Os onze representantes levaram uma bronca da magistrada e disse que a reunião era para discutir a greve, e não briga sindical.

As eleições vão acontecer no fim de abril. O pleito, que aconteceu em fevereiro deste ano, foi suspenso pela Justiça por suspeita de fraude.

Sindicato contesta foto divulgada pela Comlurb

A foto de um suposto gari imobilizado numa maca, divulgada pela Comlurb, virou mistério. A imagem do homem, que teria sido apedrejado por funcionários em greve, segunda-feira, é contestada pelo sindicato.
“Não conseguimos evidência da veracidade dessa situação. Há indícios de que se trate de uma fraude para incriminar companheiros em greve”, afirmou o vice-presidente do sindicato, Antonio Carlos da Silva, que pediu explicações à Comlurb.

Às 20h50 de terça-feira, a Comlurb admitiu que o fato não foi registrado na polícia, mas garantiu que a “vítima”, de nome não revelado, “estava bem”. A agressão teria ocorrido em coleta na Estrada do Portela, em Madureira, e o atendimento feito Hospital Albert Schweitzer.

Impasse sobre os merendeiros

Um protesto ainda na terça-feira de manhã ocupou duas faixas da pista central da Avenida Presidente Vargas. Também participaram da manifestação agentes de preparo de alimentos, vinculados ao sindicato dos garis. Eles relataram que há falta de material para trabalhar. “Somos 1.700 agentes em 350 escolas municipais, mas para a Comlurb nós não existimos”, diz José de Oliveira, um dos líderes dos agentes.

A Secretaria municipal de Educação informou que as unidades escolares atendidas por empresas terceirizadas para realização de serviços de limpeza e preparo de alimentos não são ligadas à Comlurb, como foi divulgado na edição de terça. Esclareceu que, até agora, não foi constatada a adesão desses profissionais, mas que, caso venha a ser verificado tal fato, as empresas contratadas terão que realizar às substituições nos prazos previstos no contrato.

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