Simulação da morte de Eduardo será no mesmo horário em que ele foi baleado

Segundo o delegado Rivaldo Barbosa, trabalho deve ser feito com as 'mesmas condições de visibilidade' do dia do crime

Por O Dia

Vizinhos de Eduardo acompanharam reconstituição do caso e pediram justiçaSeverino Silva / Agência O Dia

Rio - A simulação da morte do menino Eduardo de Jesus Ferreira, de 10 anos, no Complexo do Alemão, será feita às 17h30, horário em que a criança foi alvejada em frente à sua casa no dia 2 de abril. Segundo o delegado titular da Divisão de Homicídios (DH), Rivaldo Barbosa, a medida tem como objetivo resguardar as "mesmas condições de visibilidade e luminosidade" do dia do crime. 

"Estamos tendo cuidado de resguardar as mesmas condições de visiblidade e luminosidade do horário da morte. A perícia não tem hora para acabar", declarou Rivaldo. Anteriormente, os policiais que participam da reconstituição ouviram testemunhas oculares do crime. Onze PMs encapuzados chegaram ao local para a perícia, entre eles o possível autor do disparo que matou o menino.

Mais cedo, o pai da vítima, José Maria Ferreira de Souza, voltou a pedir a punição do policial que atirou contra seu filho e desabafou: "Não me calarei. Espero que a culpa do policial seja comprovada na perícia de hoje. Esse sujeito tem que pagar com cadeia", disparou. O menino foi atingido no dia 2 de abril, na porta de casa, e os dois PMs envolvidos no caso estão na comunidade para a simulação.

A Divisão de Homicídios (DH) já realizou a reconstituição da morte do ex-comandante da UPP Nova Brasília, capitão Uanderson Silva. Ele morreu depois de ser baleado em um confronto em setembro de 2014. A Polícia Civil também fez a perícia da morte de Elizabeth de Moura Francisco, de 41 anos. Moradora da comunidade, ela foi vítima de mais um tiroteio na região e acabou sendo baleada dentro de casa.

GALERIA: Reconstituições no Alemão

Os trabalhos de reconstituição simultânea das três mortes mobilizaram 120 policiais, oito delegados e 10 peritos. 

Viúva do PM morto, Bianca da Silva criticou a falta de segurança no Rio: "A minha dor é a mesma da mãe do Eduardo, da filha da Elizabeth. Todos somos vítimas da cultura da violência", disse.

A mãe do policial militar, Maria Glória da Silva, também esteve onde ele foi morto e fez uma oração no local. "Pedi para que Deus encaminhe o espírito dele. Quero ver o culpado condenado, ele vai ter que pagar. Era meu único filho homem. Não quero que outras famílias sofram", desabafou.

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