'Ele planejou tudo, não foi ciúmes', diz prima de professora esquartejada

Docente da Universidade Federal Rural do Rio (UFRRJ) foi morta por namorado e corpo achado quatro dias depois

Por O Dia

Rio - Prima e amiga da professora universitária Andreia Pinto Oliveira, 37 anos, encontrada esquartejada dentro da caixa d'água em sua própria casa no bairro de Lages, em Paracambi, na Baixada Fluminense, Elaine Melo Alves, de 50 anos, foi a primeira pessoa a sentir sua falta. Ela descarta a possibilidade do crime ser passional e diz que a docente não queria mais ver Geovane Breia Raimundo, de 25 anos, por conta do seu passado misterioso e pela forma estranha de agir. Ele foi preso nesta segunda-feira em São Gonçalo e confessou o crime.

Professora universitária Andréia Oliveira Pinto foi morta pelo ex-namorado com requintes de crueldadeReprodução Facebook

"Ele entrou na casa dela, viu o que ela tinha, que morava sozinha, e planejou tudo isso. Não acredito que tenha sido ciúmes, ela não estava apaixonada por ele, queria se afastar. Quando ele viu que ela estava se afastando, acelerou tudo o que planejou. Quem ama não faz o que ele fez, com requintes de crueldade. Ficou com o corpo dela dentro de casa por dois dias, passando por ela morta, e depois ainda cortou o corpo e colocou dentro da caixa d'água. Teve todo o tempo para pensar e viu que não tinha como tirá-la de casa porque a rua era movimentada. Ai deixou o corpo dela lá", desabafou.

Elaine disse que falava diariamente com a vítima por telefone ou mensagens. No dia do crime, ela enviou uma mensagem via WhatsApp para a docente, que respondeu de forma estranha. "Ele falou comigo como se fosse ela. Escreveu errado e comecei a questionar isso: 'Porque ela está escrevendo assim?'. Ela é uma professora universitária, né? Então perguntei: 'Foi você ou o Geovane?'. Comecei a ligar e ela não atendia. Então comecei a fiquei preocupada", lembra.

Na quinta-feira, um dia depois do crime, Elaine entrou em contato com a psicóloga de Andreia, já que todas as quintas-feiras ela tinha consulta com a especialista, mas ela não tinha ido. Então voltou a ligar para o celular da prima e desta vez quem atendeu foi o assassino, que a esta altura já estava com o corpo da professora dentro da casa e planejamento com frieza o que faria com ele.

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"Ele atendeu o telefone e disse que ela estava ocupada. Insisti em falar com ela, mas ele disse que ela estava no sítio da mãe. Dei um ultimato e disse que se eu não falasse com ela ia até a casa dela com a polícia. Ele ameaçou me processar pela acusação e disse que eu poderia conferir que ela não estava em casa. E depois não atendeu mais o telefone", falou.

Elaine acredita que, caso tivesse procurado a prima em sua casa, poderia ser mais uma vítima do criminoso. "A gente nunca pensa no pior. Poderia ser qualquer coisa, mas nunca pensei que ele poderia ter feito o que fez. Se eu fosse sozinha na casa, nem poderia estar aqui falando com você. Seriam dois corpos na caixa d'água", revelou.

Ainda abalada com a morte brutal da prima e confidente, ela disse ter visto o assassino pelo menos três vezes e percebeu que ele era estranho. "Eu o vi duas vezes na casa dela. Ainda falei para ela: 'Ele é estranho, pegajoso'. Não deixava ela sozinha nenhum minuto, nem comigo. A outra vez foi na rua. Estava voltando com ela da Rural, onde ela dava aulas, e ele estava saindo da casa dela. Ela queria mandá-lo embora. Ainda disse para ela: 'antes só do que mal acompanhada", falou.

Geovane%2C assassino confesso de crime brutal%2C estava a menos de dois meses namorando professora universitária AndréiaReprodução Facebook

'Surtamos', revela prima ao descobrir corpo de professora

Sem saber o que fazer, Elaine procurou o ex-marido de Andreia, que ainda mantinha contato com a vítima e possuía a chave da casa. Ao chegar no local, ela, que sempre frequentou a residência da prima, percebeu a ausência de diversos pertences.

"Um Xbox (video game), um netbook, um notebook, um aparelho de DVD, que ela tinha em casa, não estavam lá. O guarda-roupa estava vazio e uma mala que ela tinha não estava lá", disse. A moto da professora também foi levada por Geovane, segundo a polícia.

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O corpo de Andreia foi descoberto no segundo andar, onde havia um terraço com a caixa d'água e um varal para pendurar roupas. Até então, eles não haviam encontrado nenhum sinal da docente.

"Pedi para o ex-marido dela olhar a parte de cima da casa e de repente ele gritou. Disse que tinha alguma coisa dentro da caixa d'água, porque estava cheio de mosca. Quando abrimos parte dela, vimos o edredom, com sangue, e algo enrolado nele. Entramos em desespero e surtamos. Ele, nem sei como, ligou para a polícia. Apesar de imaginarmos do que se tratava, não queríamos acreditar", lamentou.

O corpo de Andreia foi sepultado nesta segunda-feira no Cemitério Municipal de Paracambi. Em cima do caixão, fechado, foram colocadas muitas fotos da professora. "Colocamos muitas fotos dela alegre, era assim que ela era, e gostava de estar sempre bem vestida. E feliz", finaliza.

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