Operação na Uruguaiana termina com 1.100 boxes de camelódromo fechados

Ação apreendeu produtos falsos e investiga participação de milicianos

Por O Dia

Rio - Uma operação da Polícia Civil contra a pirataria manterá fechado o Centro de Comércio Popular da Uruguaiana até sexta-feira. Dos 1.600 boxes do local, foram interditados 1.100, todos nas quadras C e D, que vendiam roupas e calçados falsificados de marcas famosas.

Os agentes também investigam a participação de milicianos na segurança da região e indícios de que políticos e policiais usam ‘laranjas’ para conseguirem permissões de boxes, e os alugariam por até R$ 30 mil. A delegada Valéria Aragão informou que as permissões para uso dos boxes não podem ser vendidas e nem transferidas. Cada pessoa, através do CPF, tem direito a apenas uma loja.

Frequentadores do camelódromo observam material apreendido%2C que foi levado para depósito da políciaSeverino Silva / Agência O Dia

A investigação da Delegacia de Repressão aos Crimes Contra a Propriedade Material (DRCPIM) levou três meses e aconteceu em conjunto com representantes de grandes marcas, que moveram ação cível na Justiça. Segundo a delegada, foram identificadas na investigação pelo menos 220 lojas que vendiam produtos pirateados. A 5ª Vara Empresarial da Capital do Tribunal de Justiça do Rio concedeu um mandado de busca coletivo para os boxes. Há um mês, outras duas quadras do camelódromo também foram alvo de operação contra receptação.

“A pirataria tem penas brandas, o que faz com que seja o quarto crime com maior reincidência. Ela movimenta um mercado altíssimo e há indícios de que na Uruguaiana tenha participação de milícia”, afirmou a delegada. A operação Jerichó começou às 6h de ontem, antes do mercado abrir. Os lojistas foram chamados a abrir seus boxes e comprovar que possuíam mercadoria original.

Organização admite venda de piratas

A presidente da União dos Comerciantes, Rosalice Rodrigues Oliveira, admitiu 40% dos boxes vendem produtos falsificados. Mas lembrou que a associação só tem o poder de orientar, e não o papel de polícia. Ela calcula que até sábado, quando o local será reaberto, lojistas regulares, mas que trabalham dentro do espaço interditado, podem ter prejuízo de R$ 10 mil.

O advogado de uma das empresas, Igor Donato de Araújo, afirmou que é impossível calcular a perda das companhias. Foram apreendidos diversos produtos, levados para depósito da Polícia Civil.


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