Protesto de barcos muda a paisagem de domingo da Baía de Guanabara

Velejadores da Marina da Glória içam velas negras contra construção de shopping no local

Por O Dia

Rio - A construção de um shopping center na Marina da Glória provocou um protesto com mais de 20 embarcações que, durante três horas, navegaram pela Baía de Guanabara na tarde de ontem. 

Manifestação aquática percorreu a orla da Zona Sul na tarde de ontem e mobilizou 20 embarcaçõesBruno de Lima / Agência O Dia


Nomeado de ‘Horizonte Negro’, o protesto foi idealizado pela artista visual Martha Niklaus e por velejadores aportados na Glória. “Comecei a me envolver há seis meses, precisamos nos mobilizar coletivamente.”

Segundo os organizadores da manifestação, em dezembro de 2014, durante as festas de fim de ano, a Marina da Glória, que seria a única pública e faz parte do Parque do Flamengo, foi privatizada e desde o ano passado é administrada pela BR Marinas, que possui ainda concessão de outros quatro portos no estado.

“Conseguimos uma liminar no mês porque o parque é tombado”, afirma o advogado Nelson Nirenberg. “O IPHAN (Instituto de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional) está sendo incompetente e autorizou o aterro de uma área tombada.”

Segundo Nirenberg, a BR Marinas teria informado aos usuários que o aluguel das vagas, seria reajustado em mais de 200%. “Um barco que hoje paga R$ 600, passará a pagar R$ 1.570.” Para Niremberg, o valor afastará os donos dos pequenos barcos do local. “É um parque público, para pessoas pobres ou ricas. O aumento fará com que os humildes saiam.”

O aposentado Walter Moreno, 68 anos, mora em sua embarcação há 18 anos e não compreende como um parque público tem sua finalidade trocada. “Acho estranho que algo criado para a população agora vire um shopping, que só quer lucro.” Segundo ele, a mudança nos valores cobrados aos velejadores vai contra o contrato em vigência. Procurada por O DIA, a BR Marinas não se manifestou até o fechamento desta edição.

Últimas de Rio De Janeiro