A cada dez dias, bandidos tiram um ônibus das ruas do Rio

Incêndios criminosos destruíram 25 coletivos no estado somente este ano, deixando 1,8 milhão de passageiros a pé e gerando prejuízo alto para as empresas

Por O Dia

Rio - A cada dez dias, em média, um ônibus foi atacado e incendiado por criminosos no estado este ano. Os dados alarmantes, computados entre janeiro e setembro, foram divulgados pela Fetranspor. Levantamento feito pelo DIA mostra que, só na Zona Norte, 12 coletivos foram queimados, quatro ataques a mais do que na Baixada Fluminense.

Niterói e São Gonçalo, com quatro incidentes, e a Zona Oeste, com um, completam a lista. O custo para reposição desses 25 veículos fica em torno de R$ 8,7 milhões. Mas, para a população, o prejuízo é incalculável.

A reposição de um ônibus perdido num incêndio pode levar muito tempo. A federação destaca que não existe cobertura de seguro para incêndio criminoso, o que obriga as empresas a encomendarem ônibus novos para substituir os destruídos.

O motorista J. dirigia um coletivo na Zona Norte quando 20 jovens incendiaram o veículo%2C ano passado%3A “Quase aconteceu uma tragédia”Ernesto Carriço / Agência O Dia

De acordo com a Fetranspor, o intervalo entre encomenda, fabricação, envio e licenciamento de um ônibus, até que ele seja posto em circulação, pode chegar a seis meses. A quantidade estimada de passageiros que potencialmente deixou de ser transportada por causa dos ataques, considerando o prazo para cada reposição, é de 1,8 milhão.

Nos pontos de ônibus de Del Castilho, onde no dia 13 de agosto três coletivos foram usuários reclamam que o tempo de espera para conseguir embarcar em um coletivo ficou maior após o ataque. “Piorou, pois são menos três ônibus nas ruas”, reclamou o mecânico Luis Costa Freitas, 54.

Vítima do vandalismo em outubro, quando dirigia ônibus de uma empresa na Penha, J., de 29 anos, ainda tenta esquecer o ataque. “O ônibus estava cheio. De repente, num ponto na Mangueira, um grupo de 20 jovens entrou e alguns disseram: ‘Se não descer vamos tacar fogo com vocês dentro do ônibus.’ Crianças e idosos entraram em pânico. Ainda viajo com medo”, lamentou.

Gerente de manutenção da empresa Lourdes, Rogério De Bem, 47, contou que este ano dois coletivos foram apedrejados. Segundo ele, nova estratégia foi montada para evitar ataques. “Orientamos os motoristas para alterar a rota em locais de manifestações. Em 2014, tivemos três veículos incendiados. O custo chega a R$ 350 mil”, contou.

Veja os principais pontos onde%2C no Rio%2Cônibus são vítimas de ataques de criminososArte O Dia

Zona Norte lidera ranking

A Zona Norte é a região recordista no ranking de ônibus atacados por criminosos, com 12 casos no total. Os bairros Del Castilho e Rio Comprido dividem o topo da lista, com três ataques em cada um. Eles são seguidos por Rocha Miranda, Guadalupe, São Cristóvão, Engenho Novo, Madureira e Costa Barros, todos com um

Já na Baixada Fluminense, cinco ônibus foram destruídos em Japeri e um nos municípios de Nova Iguaçu, Belford Roxo e São João de Meriti. Niterói, com três ataques, e São Gonçalo, com um, compõem as estatísticas da Região Metropolitana. Já na Zona Oeste, o bairro de Santa Cruz teve um registro de incêndio criminoso.

Especialistas concordam que a parte mais prejudicada dos atos de vandalismo contra coletivos, é a população. Mas ressaltam que os profissionais do transporte público também sofrem. “Duas classes são as mais prejudicadas por esses ataques: o passageiro, porque fica sem o ônibus, aumentando o tempo de espera nos pontos. Mas o motorista e o cobrador, que são submetidos a um estresse terrível, também sofrem porque muitos ainda tentam salvar os coletivos. Todos acabam viajando com medo de ocorrer incêndios criminosos”, comentou o gerente dos consórcios de ônibus da cidade do Rio, Carlos

Para o coronel Paulo Amêndola, especialista em segurança pública, é comum ocorrer este tipo de crime quando há operações policiais, principalmente as que registram mortes. “As pessoas descem as comunidades para protestar contra a morte de um bandido ou até mesmo de um morador. Colocam a culpa na Polícia Militar e incendeiam os ônibus como válvula de escape. Na maioria das vezes, a ação é a mando de chefes do tráfico”, afirmou.

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