Choque elétrico mata mais de uma pessoa por dia

Segundo diretor Associação Brasileira de Conscientização para Perigos da Eletricidade, em 2014 foram registradas 693 óbitos no país

Por O Dia

Rio - Manhã do dia 6 de outubro. Antônio D'Almeida, 43 anos, morre com uma descarga elétrica no alto de um poste da Ampla, em São Gonçalo. Três dias antes, o pedreiro José Mercedes, 39, levou um choque fatal em Mesquita, na Baixada, ao encostar em fios da Light, numa construção irregular. Em meados do ano, Anamiriam Silva, 82, morreu eletrecutada em Volta Redonda, ao tentar desligar um relógio de luz em curto, instalado de forma clandestina.

Acidentes mortais em redes de energia se tornaram freqüentes. Segundo o diretor Associação Brasileira de Conscientização para os Perigos da Eletricidade (Abracopel), Edson Martinho, em 2014 foram registradas 693 óbitos no país. Desse total, 623 foram por choques, 46 por raios, e 20 por incêndios provocados por curtos. Os números deste ano só serão divulgados no início de 2016, mas, segundo especialistas, a tendência é que tenham aumentado.

Nos 31 municípios em que atua, a Light registrou, entre janeiro de 2014 e julho deste ano, 664 interferências acidentais em sua rede de distribuição. Foram 20 mortes associadas à construção civil e à manutenção predial próximas à rede elétrica. Casos de vergalhões que acidentalmente encostam na fiação, manuseio indevido de fios e atividades em andaimes próximos à rede, são os principais motivos de acidentes fatais.

Segundo a Light, as cidades de Nova Iguaçu (21 ocorrências), Seropédica (15), Queimados (9) e São João de Meriti (8), na Baixada, e os bairros de Guadalupe (12), Olaria (9) e Colégio (8), no Rio, são as localidades com maior incidência de acidentes. “É preciso sempre obedecer a distância mínima estabelecida pelo código de obras de cada município”, alerta o coordenador de Segurança do Trabalho da Light, Calixtrato Talon Filho.

Das 693 morte por choques no Brasil ano passado, 109 eram profissionais da construção civil, incluindo eletricistas. Postes eletrificados mataram 315 pessoas, e simples tomadas, extensões e benjamins, 89. Outras 57 foram por fiações partidas nas ruas. Já choques em chuveiros e cercas elétricas somaram 23 óbitos.

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