Sem emergências no estado, prefeituras temem superlotação

Por falta de verbas, estado ameaça urgência do Adão Pereira Nunes, Getúlio Vargas e Alberto Torres

Por O Dia

Rio - A ameaça de fechar três grandes emergências de hospitais estaduais do Rio, por falta de verba, deverá agravar ainda mais o estado terminal da saúde do Rio de Janeiro. Conforme divulgado ontem, com exclusividade, pelo ‘Informe do DIA’, a paralisação dos serviços nos hospitais estaduais Alberto Torres, em São Gonçalo, Adão Pereira Nunes, em Saracuruna, e Getúlio Vargas, na Penha, acendeu o alerta nas prefeituras que temem arcar com a superlotação em suas unidades. 

Embora o secretário estadual de Saúde, Felipe Peixoto, negue a interrupção do atendimento, o Conselho Regional de Medicina do Estado (Cremerj) foi comunicado da decisão do governo.

“Queremos que ele assuma a obrigação de repassar as verbas para essas instituições e pague suas dívidas, para que elas voltem a funcionar em sua plenitude”, diz o vice-presidente do Cremerj, Nelson Nahon, que denunciou as condições agonizantes das unidades.

Pacientes sem comida

Além da falta de insumos básicos, como fios de sutura e antibióticos, funcionários do Getúlio Vargas flagraram até ratos nas lixeiras. Segundo o Cremerj, a falta de pagamento dos fornecedores tem suspendido serviços essenciais, como higiene e limpeza e, até, nutrição — a pediatria do Getúlio Vargas, por exemplo, ameaça cancelar cirurgias por falta de comida.

Recusado em uma UPA%2C o aposentado Florisvaldo também não conseguiu ser atendido no Hospital Albert Schweitzer. Faltava equipamento para tratar sua infecçãoAlexandre Brum / Agência O Dia

Na Zona Sul, médicos e enfermeiros do Instituto de Cardiologia Aloysio de Castro, no Humaitá, tiveram que almoçar na última terça em um Batalhão da PM, devido à greve dos terceirizados. Em São Gonçalo, uma reunião de emergência foi convocada para tratar da crise. “Nossas unidades estão atendendo acima da capacidade há quatro meses. Não temos condições de assumir o atendimento”, diz o secretário de Saúde, Dimas Gadelha.

Além dos hospitais, as Unidades de Pronto-Atendimento (UPAs) também estão em seu leito de morte: sem dinheiro, elas deixaram de atender casos de baixa e média gravidade na Tijuca e Campinho, na Zona Norte, e na Taquara, em Jacarepaguá.

Com a saúde na UTI, são os pacientes os que mais sofrem. Com infecção no pé, Florisvaldo Gomes, de 67 anos, mal consegue andar. Mesmo assim, teve que se locomover por três unidades. Recusado numa UPA, não foi atendido no Hospital Estadual Albert Schweitzer, em Realengo, que mesmo sendo referência em politraumatizados, não possuía o equipamento para fazer a raspagem. Sem ambulância, cujos leitos estavam em uso pelo hospital, o paciente buscou socorro no PAM de Bangu.

A Secretaria Estadual de Saúde informou que vem reunindo esforços juntos às secretarias municipais e ao Ministério da Saúde para não paralisar o atendimento.

Estado do Rio já tem 66 casos suspeitos de microcefalia desde janeiro

Em apenas uma semana, o número de casos de microcefalia cresceu 46% no Estado do Rio. Se até a semana passada foram registradas 45 notificações, o boletim divulgado ontem pela Secretaria Estadual de Saúde mostrou que já chega a 66 o total de ocorrências da doença. Desses, 55 são de bebês já nascidos e os outros 11 são referentes ao período intra-uterino. Em 2014, ocorreram 10 casos no Rio.

Além desses dados, o levantamento revelou que 20 mulheres tiveram histórico de manchas vermelhas pelo corpo ao longo da gravidez. O secretário de Saúde, Felipe Peixoto, descreveu como ‘grave’ a situação. “O país está em alerta e isso coloca o Rio de Janeiro numa posição de preocupação”, explicou.

Desde novembro, quando se tornou obrigatória no estado a notificação de gestantes com manchas vermelhas na pele (exantema), já foram notificados 698 casos de grávidas com esse quadro. Até o momento, 12 foram confirmados, mas não há comprovação se os fetos possuem microcefalia.

Na Baixada Fluminense, a doença também avançou. De acordo com a Secretaria de Saúde de Duque de Caxias, este ano, foram contabilizados 401 casos de dengue, e 466 de zika vírus. Em Belford Roxo há 18 pessoas com suspeita de zika. Mesquita teve um caso de febre chikungunya, 81 casos de dengue e quatro casos de zika. Em São João de Meriti, há 149 casos de zika vírus, com 67 notificações em gestantes. Quanto à dengue, são 631 casos. Nova Iguaçu registrou 382 casos de suspeita de zika vírus e 97 ocorrências de dengue.

No sábado, Nova Iguaçu terá Dia D contra a zika. Cerca de 600 agentes da Vigilância Ambiental vão visitar casas, farão mutirão de limpeza e usarão carro fumacê em seis bairros. Grávidas podem tirar dúvidas pelo telefone 0800-0257970.

Descuido em piscinas piora infestação

A quatro dias do verão, principal época para eclosão dos ovos do mosquito Aedes aegypti, mais piscinas foram flagradas pelo DIA cheias de água parada em imóveis abandonados. Um dia depois de mostrar terrenos da Prefeitura do Rio e do estado, na Ilha do Governador, e no Flamengo, tomados pelo lixo, ontem um dos endereços escolhidos foi a sede tijucana do América Football Club. O local tem três piscinas que estão tirando o sono da vizinhança.

A sede do clube, na rua Gonçalves Crespo, foi fechada há mais de um ano, mas ainda há funcionários trabalhando no local, que não esvaziam o trio de tanques. A museóloga Tânia Bravo, de 60 anos, está assustada. “A Tijuca tem mosquito demais. Eu sei de seis casos de zika e dengue”, diz, alarmada.

Na antiga sede do América%2C na Tijuca%2C desativada há um ano%2C há três piscinas com água parada que estão tirando o sono dos moradores Severino Silva / Agência O Dia

Na Universidade Gama Filho, em Piedade, fechada há quase dois anos, mais uma piscina com água parada. Entretanto, a Coordenação de Vigilância Ambiental em Saúde, da Prefeitura, garantiu que ambos estabelecimentos recebem visitas rotineiras, quinzenais, para adição de controle biológicos com peixes, que se alimentam das larvas do mosquito, para evitar o surgimento dos criadouros. De acordo com o órgão, as últimas manutenções ocorreram dia 8, na Gama Filho, e no dia 10, no América.

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