Depois de tragédia em família de São Gonçalo, fios espalham medo nas ruas

Município do Rio também sofre riscos de tragédias iminentes

Por O Dia

Rio - As mortes na família de São Gonçalo mostraram que acidentes elétricos são fruto de descaso associado à falta de manutenção das concessionárias. Mas não se engane, o Município do Rio também sofre riscos de tragédias iminentes. O DIA percorreu as ruas do Centro do Rio e encontrou postes caindo, fios soltos e tombados, encostando na cabeça dos pedestres.

Na Rua Laura de Araújo, no Estácio, postes com dezenas de fios elétricos que tombavam ou estavam pendentes. O mais grotesco foi um poste elétrico caindo em cima de uma barraca. “Isso é sempre assim, ninguém faz nada”, disse um morador que não quis se identificar.

Parentes e amigos se desesperam no enterro do bebê de 10 meses%2C que estava dentro do carro quando cabo de alta-tensão atingiu o veículoFelipe Aguiar / O São Gonçalo

Na Rua General Caldwel, no Centro, um acidente com um ônibus da linha 324 há quase um mês deixou outro poste inclinado e fios pendurados. “A RioLuz cortou tudo, nos deixou sem energia”, reclama a comerciante Albeniza Vivas. Na Avenida Mem de Sá, no Centro, um homem se arriscava pintando um prédio encostando nos fios elétricos, sem segurança alguma. Na Rua dos Inválidos, o funcionário de uma operadora de telefonia consertava a fiação sem luvas nem capacete.

A Light informou que vai avaliar os casos denunciados pelo DIA e que o poste tombado no Estácio é fruto de vandalismo dos moradores da região. A Light informa ainda que desativará quatro lojas nos municípios do Rio e Nova Iguaçu: Primeiro de Março (Centro), Tijuca, Ilha do Governador e Via Light.

Cabo rompe e destrói família em 5 minutos

O rompimento de um fio de alta-tensão destruiu a família Alcântara em menos de cinco minutos. Foi no começo da noite de domingo, na porta da casa da avó, em São Gonçalo. O pai acabara de colocar o bebê Gabriel na cadeirinha do carro e ficou do lado de fora esperando o outro filho chegar. De repente, sem qualquer sinal anterior, um fio de alta-tensão caiu sobre o automóvel. Apavorado, o irmão adolescente abriu a porta para tentar retirar o bebê. Em vão. Lucas, de 13 anos, recebeu toda a descarga a elétrica e ainda conduziu o choque para o pequeno Gabriel.

Em pânico, o pai, Raphael, se aproximou para socorrer as crianças. A eletricidade não o poupou e ainda levou o avô dos meninos, Adão Moraes, 85 anos, que, desesperado ao ver a esposa correr na direção dos eletrocutados, entrou na frente da mulher e também morreu. Maria Nazaré, aos berros, jogada no chão, implorava por socorro, gritando pelo filho e pelos netos. Maria foi a única sobrevivente da história que ontem comoveu o país.

A Polícia Civil já periciou o local, apreendeu parte da fiação rompida e vai ouvir as testemunhas. O Procon autuou a Ampla, que deverá dar explicações sobre o caso. Nazaré segue estável em tratamento no Hospital das Clínicas, em Niterói. Ela teve as mãos queimadas e foi submetida a uma cirurgia para aplicação de enxerto.

Clique sobre a imagem para a completa visualizaçãoArte O DIA

A concessionária Ampla investiga se o desastre ocorreu por causa de um objeto lançado na rede de alta tensão, em outra rua do bairro. Ele teria rompido o fio. Especialistas suspeitam de falha na estrutura da fiação. A vizinha Luciene Matos relatou que o poste, de onde despencou o fio, é recém-instalado e que o eletricista da Ampla teria classificado o procedimento como “complicado”.

Para o físico Alfredo Sotto, é improvável que a rede fosse das mais adequadas. “Uma fiação se soltar é raro. É mais provável que já estivesse comprometida”, afirma. O físico Ronald Chellard explica que o grupo teria se salvado caso deixassem o bebê no carro. “O veículo funciona como uma blindagem eletrostática; não podemos tocar na lataria nem em quem está recebendo o choque”, diz Ronald.

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