Interlocutor de Jucá, Sérgio Machado vasculhava salas para fugir de grampos

Na Transpetro, que presidiu de 2003 a 2015, ele determinava varreduras periódicas em gabinetes que ocupava

Por O Dia

Rio - Quem conhece Sérgio Machado, o interlocutor de Romero Jucá nas gravações divulgadas pela ‘Folha de S.Paulo’, sabe que ele dificilmente seria flagrado numa gravação feita em segredo. Além de evitar conversas comprometedoras por telefone, Machado se cerca de cuidados.

Na Transpetro, subsidiária da Petrobras que presidiu entre 2003 e 2015, ele determinava que fossem feitas varreduras periódicas nas salas em que ocupava. Havia até um técnico especializado na busca de microfones ocultos. 

Trilha sonora
No gabinete de Machado e na sala de reuniões da Braspetro, música clássica em volume alto era a trilha sonora de conversas. Mais do que revelar o gosto do executivo, a barulheira servia para dificultar eventuais gravações.

Militares e Dilma
Num de seus diálogos com Machado, Romero Jucá insinua a participação de “generais e comandantes militares” no processo de impeachment de Dilma, então comandante suprema das Forças Armadas. Segundo ele, os militares estavam também “monitorando o MST” para evitar perturbações. O Informe procurou os três comandos.

Sem conversas
A Aeronáutica respondeu que o brigadeiro Nivaldo Luiz Rossato nunca teve conversas reservadas ou audiências com Jucá desde que assumiu o comando da Força, em janeiro do ano passado.

Orçamento
A Marinha diz que seu comandante, almirante Eduardo Bacellar Leal, almoçou com Jucá em março de 2015 para discutir questões orçamentárias.

Interesse público
Já o Exército afirma manter “relações institucionais” com integrantes dos três poderes e que seu comando recebeu “inúmeros parlamentares”: “Os assuntos tratados tiveram como escopo o interesse público e o Exército.”

Exército e conjuntura
O Exército não citou o MST, mas afirmou acompanhar “todas as variáveis que compõem o estudo das conjunturas nacional e internacional, que possam ensejar possibilidade de emprego da Força”.

Fraqueza
Na avaliação de um experiente deputado, ao ceder às pressões pela volta do Ministério da Cultura, Michel Temer demonstrou que vai ter dificuldades para suportar prováveis manifestações e greves contra mudanças na aposentadoria e na legislação trabalhista

O custo da Delação
A garrafa de 600 ml da cerveja ‘Delação Premiada’ custa R$ 25,76 no supermercado Zona Sul. Ou seja, delatar custa caro.

Saideira
Presidente da Biblioteca Nacional desde 2013, Renato Lessa desabafou ontem no Facebook. “O governo interino já anunciou minha sucessora. Ao menos nisso nos entendemos: não quero ficar, e eles não querem que eu fique.”

Últimas de Rio De Janeiro