Violência atrasa Páscoa e tira 100 crianças de ONG

Reforma da sede do ViDarte elevaria sua capacidade para até 400 alunos

Por felipe.martins

Rio - Para um grupo de 200 crianças que fazem balé, hip hop e treinam futebol e surfe (!) no Complexo do Alemão, a Páscoa chegou dois dias atrasada — mas chegou. No Espaço VidArte, da advogada Ellen Serra, ninguém ficou sem chocolate nesta terça-feira, apesar de muitos ainda estarem sem uniformes — só nesta terça ela conseguiu a confirmação da doação que vai deixar os garotos ‘nos trinques’.

“Mas o que nós precisamos mesmo é de mão de obra e material de construção para reformar mais seis salas da nossa sede. Se conseguirmos isso, alguém que doe este material e a mão de obra, poderemos chegar a 400 crianças.”

As crianças do ViDançar celebraram a Páscoa somente nesta terça-feiraDivulgação

Ellen fundou a ONG em 2009, após quatro anos de trabalho voluntário no complexo, primeiramente oferecendo apenas balé, com o ViDançar. “Percebi que não adiantava apenas doar chocolates, roupas. Era preciso oferecer uma ocupação a estas crianças. E assim nasceu este trabalho.” O aluguel do espaço é pago por um benfeitor, que prefere não ser identificado.

Ele conta que a escalada de violência no complexo, que teve início em janeiro, fez com que o Vidarte perdesse pelo menos 100 alunos que chegaram a se matricular, mas deixaram de descer a favela até a Avenida Itaoca, sede do grupo. Para fazer parte, elas têm de estar com a carteira de vacinação e a matrícula escolar em dia. “Com medo dos tiroteios, os pais não deixam mais seus filhos saírem de casa”, revela Ellen, que decidiu esperar pelo retorno dos alunos até o fim deste mês. “Os pais pediram.” Como se vê, no Alemão, a esperança é a última que morre...


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