Fim da amizade entre Matos e Dauttmam

Prefeito de São João de Meriti acusa o de Belford Roxo de traição. Um apoia Lindbergh e o outro, Pezão

Por O Dia

Rio - A disputa eleitoral, oficialmente, só começa em 6 de julho, mas já pôs fim à amizade de 25 anos entre o prefeito de São João de Meriti, Sandro Matos, e o de Belford Roxo, Dennis Dauttmam. Enquanto o primeiro apoia para o governo do estado Lindbergh Farias (PT), o segundo quer a reeleição de Luiz Fernando Pezão (PMDB). As escolhas políticas também separaram o prefeito e o vice Douglas da ACR (PTC), que foi exonerado do cargo de secretário de Educação.

O caldo entornou de vez na última segunda-feira, numa reunião em Belford Roxo, em que Matos discursou de forma dura contra o ex-amigo, acusando-o de traição. O ato foi considerado uma afronta por se tratar de um movimento político dentro da cidade administrada pelo ex-aliado. “O Dennis nos traiu, pois fomos nós que estivemos ao seu lado quando quiseram cassar-lhe o mandato de vereador e fomos nós que o ajudamos a se eleger”, discursou o prefeito de Meriti.

A relação de ambos é profunda e vai além das prefeituras que comandam, dos partidos aos quais são filiados (PDT e PC do B) e dos nomes que apoiam para o governo do estado. Ou era. Sandro é padrinho do filho mais velho de Dauttmam — Dennis, de 18 anos — e deu emprego a Raquel Dauttmam, primeira-dama de Belford Roxo, em Meriti.<CW-32> Quando esteve em maus lençóis na Câmara Municipal ou sem cargo político, foi Matos quem o socorreu.

Isso, porém, não impediu que o prefeito de Belford Roxo exonerasse da sua administração os aliados do até então amigo — entre eles o próprio Douglas da ACR —pela cota de Matos, a quem o vice chama de líder. “Ele é meu mentor e líder”, derrete-se.

Para piorar, Dauttmam rejeita apoiar Lindbergh, de quem Sandro é coordenador de campanha. “Fiquei triste com meu amigo agindo contra mim”, revelou Dennis, que, mais moderado, diz ter esperança de que, depois das eleições, as coisas voltem a ser como eram antes. “Nossas famílias se amam, isso vai passar”, espera.

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Novo round entre Lenine e Max Lemos

Quatro servidores da Secretaria Municipal de Educação foram exonerados na sexta-feira em Queimados em mais um capítulo da disputa política entre o prefeito Max Lemos (PMDB) e seu irmão — e adversário — Lenine, hoje filiado ao PDT.

Conforme mostrou, os irmãos romperam porque Lenine, depois de atuar durante 14 anos nos bastidores das campanhas de Max, decidiu seguir carreira própria, candidatando-se a deputado federal. O prefeito, porém, é aliado de Jorge Picciani, presidente regional do PMDB, que trabalha para reconduzir o filho Leonardo à Câmara, em Brasília.

“Ele está demitindo todos ligados a mim”, reclama Lenine, afirmando que a exoneração é uma forma de o irmão garantir a fidelidade dos servidores da prefeitura. “As pessoas agora têm medo”, conclui.

Max, entretanto, nega que haja perseguição. “Sou prefeito da cidade, fui eleito para administrar, e, portanto, quem decide sobre as exonerações sou eu”, responde ele. “Lenine primeiro tem que se eleger, para, só depois, querer mandar ou indicar alguém na administração pública”, completa.

Para o prefeito, o irmão esperava que o laço de sangue lhe garantisse apoio automático. “Errado! Precisa ter algo a apresentar, e os Picciani têm”, explica Max, que receberá na cidade, dia 27, com Jorge Picciani, o presidenciável Aécio Neves (PSDB), a quem espera apresentar à população.

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