Domingo é dia de Baile Charme em Duque de Caxias

Criado para divulgar a música negra, o Gramacho Black Music atrai cada vez mais admiradores

Por O Dia

Dois passos para a esquerda, dois para a direita, um para frente e um para trás. O ritmo que leva milhares de pessoas nas noites de sábado ao Baile Charme no Viaduto Negrão de Lima, em Madureira, na Zona Norte do Rio, tem admiradores na Baixada.

E é no Gramacho Black Music (GBM) que eles se encontram aos domingos, a partir de 18h. O baile é no bar do Amarelinho, na Rua rua Iguaba 790, Centro de Gramacho, em Duque de Caxias.
De acordo com DJ Robson de Souza, o evento — que começou há cinco anos — tinha a intenção de disseminar a cultura negra na região. Hoje, o GBM é frequentado por fãs da região e do Rio.

A festa começa com os DJs Rogério Valadares, Robson de Souza, Luís Felisberto e Márcio Braga e Roger Santana, de 12 anos. Segundo o idealizador do projeto, Rogério Valadares, 42, cada evento é uma realização pessoal, pois os custos saem dos bolsos dos integrantes. “Não cobramos nada aqui. Nós fazemos os convites para os que gostam do ritmo se divertirem, conhecerem pessoas novas e ouvir música”, afirma.

Um dos mais tradicionais da região%2C baile é realizado a partir de 18h no Bar do Amarelinho%2C em GramachoCarlo Wrede / Agência O Dia

Quando o assunto é charme, a distância não é empecilho para Vania Ibraim. Moradora do Complexo da Maré, a manicure vê nos eventos uma oportunidade de ampliar seu ciclo de amizades, além de divulgar seu trabalhos e colocar em prática os passos do ritmo. “Costumo dizer que o charme é uma via de mão dupla. Nós estamos em constante troca. Cheguei aqui através de amigos e também já levei muitos daqui a outros lugares”, disse Vania, que adora dançar ‘Happy’, de Willian Pharrel.

Há quem diga que o charme é quase uma ‘seita’, com suas ideias, vestuário e vocabulário próprios. E charmeiro que é charmeiro não usa uma roupa qualquer nas festas. Segundo Robson de Souza, que antes tocava Funk Miami — uma variação do funk do anos 1990 com ritmos eletrônicos em eventos dominicais — os bailes são frequentados por gente bem produzida. “Como o charme é uma variação do soul, apenas com uma batida mais leve, a galera que curte o baile se veste bem. Aqui não tem esse negócio de calça caindo e chinelo”, diz o DJ.

Aulas de graça para fãs em Queimados

O ‘Queimados tem seu Charme’ está fazendo sucesso. Com o apoio da Secretaria Municipal de Cultura, o projeto foi criado por um grupo de amigos há quatro meses e já reúne cerca de 80 jovens às quartas e quintas-feiras, às 20h, no Espaço Visom (Rua Santa Paula 154, Glória). As aulas são gratuitas.

E, para ser charmeiro, não existe limite de idade. É preciso apenas disposição para aprender os passos que são ensinados pelos idealizadores, Vinícius Batista, Douglas Rafael e Jamilson Silva.

Para o secretário Marcelo Lessa, as aulas são mais uma forma de interação social entre os jovens.“É mais um meio de tirar nossos jovens das ruas e os envolverem na cultura”, disse o secretário de Cultura.

Reportagem de Marcelle Bappersi

Últimas de _legado_O Dia na Baixada