Nelson Vasconcelos: Conversa franca sobre o futuro

O tempo voa e, de repente, você se torna responsável pelo bem estar dos seus velhinhos, meio adoentados e teimosos pacas, pois resistem à perda da independência

Por O Dia

Rio - Graças aos avanços da tecnologia e da medicina, a média de idade do brasileiro está aumentando. Segundo dados mais recentes do IBGE, nossa expectativa de vida aumentou para 75 anos e dois meses (75,2) em 2014. No ano anterior, a estimativa era de 74,9. As mulheres vivem 78,8 anos em média, o que significa 7,2 anos mais que os homens. E já não é raro encontrarmos coroas chegando lépidos e fagueiros aos noventinha.

Envelhecer é bom, muito bom, principalmente enquanto temos saúde. Quando o tempo vira, no entanto, nem todo mundo tem recursos para bancar um bom acompanhamento médico, e a qualidade de vida cai muito. Mas é bom falar também de outro ponto que tem atordoado muita gente: tornar-se pai (ou mãe) dos próprios pais. O tempo voa e, de repente, você se torna responsável pelo bem estar dos seus velhinhos, meio adoentados e teimosos pacas, pois resistem à perda da independência. E você, há de se admitir, já não tem mais a disposição dos bons tempos de garotão (ou gatona). Nem todos sabem segurar essa barra.

Foi a partir de questões assim que a paulista Betty Milan escreveu “A mãe eterna: morrer é um direito”, que chega agora às livrarias. É um romance bem realista, uma conversa franca da narradora com a mãe centenária, que já não anda e mal consegue se comunicar. É um tormento constante, para ambos os lados.

Trata-se de um rico balanço da vida, que deixa os personagens frente a frente com alegrias que se foram e a impotência permanente diante do tempo. O entendimento mútuo é quase impossível. Será que vale a pena viver assim? Essa pergunta, tão dolorosa, é muito frequente. Mas a verdade é que não há solução válida para todas as famílias que vivem o problema. E é aí que cabe a reflexão proposta pela Betty Milan, que é psicanalista e tem produzido ótimas obras sobre os relacionamentos nossos de cada dia. Ótima leitura para quem valoriza a vida.

A propósito: é com a alma lavada e enxaguada de gratidão que agradeço as manifestações de carinho a propósito da coluna da semana passada, que falava sobre problemas de saúde que já se foram. Estamos na ativa. Cuidem-se todos.

Nelson Vasconcelos é jornalista

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Nelson Vasconcelos: Conversa franca sobre o futuro O Dia - Opinião

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O tempo voa e, de repente, você se torna responsável pelo bem estar dos seus velhinhos, meio adoentados e teimosos pacas, pois resistem à perda da independência

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Rio - Graças aos avanços da tecnologia e da medicina, a média de idade do brasileiro está aumentando. Segundo dados mais recentes do IBGE, nossa expectativa de vida aumentou para 75 anos e dois meses (75,2) em 2014. No ano anterior, a estimativa era de 74,9. As mulheres vivem 78,8 anos em média, o que significa 7,2 anos mais que os homens. E já não é raro encontrarmos coroas chegando lépidos e fagueiros aos noventinha.

Envelhecer é bom, muito bom, principalmente enquanto temos saúde. Quando o tempo vira, no entanto, nem todo mundo tem recursos para bancar um bom acompanhamento médico, e a qualidade de vida cai muito. Mas é bom falar também de outro ponto que tem atordoado muita gente: tornar-se pai (ou mãe) dos próprios pais. O tempo voa e, de repente, você se torna responsável pelo bem estar dos seus velhinhos, meio adoentados e teimosos pacas, pois resistem à perda da independência. E você, há de se admitir, já não tem mais a disposição dos bons tempos de garotão (ou gatona). Nem todos sabem segurar essa barra.

Foi a partir de questões assim que a paulista Betty Milan escreveu “A mãe eterna: morrer é um direito”, que chega agora às livrarias. É um romance bem realista, uma conversa franca da narradora com a mãe centenária, que já não anda e mal consegue se comunicar. É um tormento constante, para ambos os lados.

Trata-se de um rico balanço da vida, que deixa os personagens frente a frente com alegrias que se foram e a impotência permanente diante do tempo. O entendimento mútuo é quase impossível. Será que vale a pena viver assim? Essa pergunta, tão dolorosa, é muito frequente. Mas a verdade é que não há solução válida para todas as famílias que vivem o problema. E é aí que cabe a reflexão proposta pela Betty Milan, que é psicanalista e tem produzido ótimas obras sobre os relacionamentos nossos de cada dia. Ótima leitura para quem valoriza a vida.

A propósito: é com a alma lavada e enxaguada de gratidão que agradeço as manifestações de carinho a propósito da coluna da semana passada, que falava sobre problemas de saúde que já se foram. Estamos na ativa. Cuidem-se todos.

Nelson Vasconcelos é jornalista

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