Marcos Espínola: Após a tempestade que venha a bonança

Afastamento da presidente Dilma ainda não é o fim da história, pode significar um capítulo importante para movimentar o país

Por O Dia

Rio - O afastamento da presidente Dilma ainda não é o fim da história, mas pode ser o início da bonança depois de tanta tempestade. Pode significar um capítulo importante na retomada, não do crescimento do país, mas do seu movimento, afinal, está praticamente parado desde a reeleição. É fato que ela não conseguiu governar nesse segundo mandato e esse novo cenário acena para o mercado como um novo momento, embora seu staff não seja tão novo assim. Fica a esperança de que depois de tanta turbulência, venha um pouco de calmaria para que a população possa respirar.

Já são mais de um ano de denúncias, acusações e investigações. Uma guerra política que, até o momento, só prejudicou o país. A queda de braço entre os poderes arrastou o Brasil para uma crise sem precedentes. Podemos dizer que chegamos bem perto do fundo do poço. Os estados estão quebrados, o desemprego disparou e a inflação voltou de forma voraz. Estamos estagnados, apavorados e, muitos, literalmente quebrados.

A crise política impactou brutalmente a economia. Os prejuízos foram desde os rebaixamentos do país no âmbito internacional até a amarga volta da chamada nova classe C para uma realidade cruel da falta do poder de compra e da acessibilidade ao consumo que ela pôde experimentar nos últimos anos. A falta de sustentabilidade do plano econômico fulminou o sonho de milhões de brasileiros, incluindo o da casa própria.

Levantamento da agência de classificação de riscos Fitch revela que de cada 100 imóveis vendidos, 41 foram devolvidos de janeiro a setembro de 2015, mais de 40% das aquisições feitas. Isso significou revés de quase R$ 5 bilhões para as construtoras. Um prejuízo para os investidores, mas uma frustração ainda maior para famílias inteiras. E mais.. Pesquisa realizada pela Serasa Experian mostrou que cerca de 35 milhões de brasileiros estão inadimplentes, o equivalente a 24,5% da população.

O cenário atual é de muitas dúvidas e para boa parcela da população o momento é de total incógnita. O que nos move é um último fio de esperança de que esse grupo que assume trabalhe verdadeiramente focado no bem coletivo, algo que esperamos desde a redemocratização.

Marcos Espínola é advogado criminalista

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