Roberto Muylaert: Somos todos desonestos

Depois de ler e ouvir tanta delação atingindo todo mundo, é possível concluir que somos todos desonestos

Por O Dia

Rio - Depois de ler e ouvir tanta delação atingindo todo mundo, é possível concluir que somos todos desonestos. Quem tem poder no Brasil, qualquer poder, está sempre pronto a usá-lo em causa própria. A própria burocracia disseminada pelas repartições também é corrupção, onde as pessoas criam dificuldades para vender facilidades. Diante da desonestidade geral, o ‘Jornal Nacional’ virou ‘Boletim Criminal’, com notícias de falcatruas de todo lado, todo dia.

Observe, por exemplo, que o governo criou um órgão cujo objetivo é dar oportunidade a quem se julgue prejudicado pela Receita Federal. Com isso, ganhou poder um grupo de pessoas capazes de ‘diminuir’ a dívida do contribuinte, mediante uma compensação pessoal, é claro. Já imaginou poder diminuir a dívida de grandes empresas de milhões para milhares? Esse esquema existe e desviou dinheiro grosso do caixa do governo, com vantagens indecentes para poderosas empresas.

Repare que, em qualquer instituto, secretaria, prefeitura, estatal ou órgão público que seja investigado, a maracutaia aparece.

Diz-se que é a mesma coisa nos Estados Unidos, só que lá a Justiça funciona, e ninguém se arrisca, porque sabe que será apanhado.

Agora está acontecendo o mesmo no Brasil com a Lava Jato.

Há duas diferenças, contudo, entre nós e os americanos. Eles sabem que, uma vez desmascarados, arcarão com as penas da Justiça, não importa que cargo ocupem. No Brasil, os políticos de maior destaque estão armando todos os dispositivos de defesa possíveis para apagar fatos indefensáveis que os incriminam.

Para isso contam com o tal foro especial, usado para encobrir os crimes dos parlamentares, que só podem ser processados com autorização do Supremo, o que posterga a decisão e abre desvios por onde alguns se safam.

E como o medo é o único antídoto contra a sem-vergonhice, vamos cerrar fileiras para que a Lava Jato vá até o fim, pondo na cadeia quem merece, com foro especial e tudo. E que o dinheiro roubado seja devolvido, até porque não voltam mais os valores que foram perdidos em decisões erradas. É o caso das refinarias da Petrobras, cuja quantidade de dinheiro jogado fora por incompetência (mal-intencionada) foi superior aos valores da própria corrupção.

Roberto Muylaert é editor e jornalista

Últimas de Opinião